“Só poesia”

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Re: “Só poesia”

Mensagem  Isabel em Ter Fev 15, 2011 1:47 am


Não És Tu

Era assim, tinha esse olhar,
A mesma graça, o mesmo ar,
Corava da mesma cor,
Aquele galão que eu vi
Quando eu sonhava de amor,
Quando em sonhos me perdi.

Todo assim; o porte altivo,
O semblante pensativo,
E uma suave tristeza
Que por todo ele descia
Como um véu que lhe envolvia,
Que lhe adoçava a beleza.

Era assim; o seu falar,
Ingénuo e quase vulgar,
Tinha o poder da razão
Que penetra, não seduz;
Não era fogo, era luz
Que mandava ao coração.

Nos olhos tinha esse lume,
No seio o mesmo perfume ,
Um cheiro a rosas celestes,
Rosas brancas, puras, finas,
Viçosas como boninas,
Singelas sem ser agrestes.

Mas não és tu... ai!, não és:
Toda a ilusão se desfez.
Não és aquele que eu vi,
Não és o mesmo galão,
Que esse tinha coração,
Tinha, que eu bem lho senti.


*Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'
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Guilhem de Peitieu (1071-1126), Farai un vers de dreit nien

Mensagem  Pedro Bravo em Ter Fev 22, 2011 12:15 pm

Farai un vers de dreit nien:
non er de mi ni d’autra gen,
non er d’amor ni de joven,
ni de ren au,
qu’enans fo trobatz en durmen
sus un chivau.

Farei um verso do nada,
não será de mim, nem de outra gente,
não será do amor, nem da juventude,
nem de nada.
A trova foi feita dormindo
sobre um cavalo.


No sai en qual hora·m fui natz,
no soi alegres ni iratz,
no soi estranhs ni soi privatz,
ni no·n puesc au,
qu’enaisi fui de nueitz fadatz
sobr’un pueg au.

Não sei em qual hora nasci,
não estou alegre, nem irado,
não sou rude, nem amigável,
nem tenho culpa,
pois assim fui de noite fadado,
em um monte elevado.


No sai cora·m fui endormitz,
ni cora·m veill, s’om no m’o ditz;
per pauc no m’es lo cor partitz
d’un dol corau;
e no m’o pretz una fromitz,
per saint Marsau!

Não sei quando durmo
nem quando velo, se alguém não me diz.
Por pouco não me parte o coração
uma dor lancinante,
mas não me troco por uma formiga,
por São Marcial!
[2]

Malautz soi e cre mi morir;
e re no sai mas quan n’aug dir.
Metge querrai al mieu albir,
e no·m sai tau;
bos metges er, si·m pot guerir,
mor non, si amau.

Doente estou e creio morrer,
e nada sei além do que ouço dizer.
Um médico buscarei por minha vontade,
mas não conheço tal.
Bom médico será se me puder curar,
mas não, se piorar!


Amigu’ai ieu, non sai qui s’es;
c’anc no la vi, si m’aiut fes;
ni·m fes que·m plassa ni que·m pes,
ni no m’en cau;
c’anc non ac norman ni franses
dins mon ostau.

Amiga tenho, mas não sei quem é,
pois nunca a vi, se me tens fé,
nada fez que me agrade ou me pese,
e não me importo,
pois nunca houve normando ou francês
dentro de minha casa.


Anc no la vi et am la fort;
anc no n’aic dreit ni no·m fes tort;
quan no la vei, be m’en deport;
no·m pretz un jau:
qu’ie·n sai gensor e belazor,
e que mais vau.

Nunca a vi e fortemente a amo,
nunca me fez favor ou desfavor,
quando não a vejo, não me divirto,
mas não me troco por um galo,
[3]
que seja mais gentil e formosa,
e que valha mais.


No sai lo luec ves on s’esta,
si es en pueg ho es en pla;
non aus dire lo tort que m’a,
abans m’en cau;
e peza·m be quar sai rema,
per aitan vau.

Não sei o lugar onde está,
se é no monte ou no plano,
não me atrevo a dizer a injustiça que me faz,
antes me calo,
ou me pesa muito quando fica aqui,
portanto vou.


Fait ai lo vers, no sai de cui;
et trametrai lo a celui
que lo·m trametra per autrui
enves Peitau,
que·m tramezes del sieu estui
la contraclau.

Feito está o verso, não sei do que,
e envio-o àquele
que o envie através de outro
a Poitou,
e que de seu estojo me traga
a aduela.
[4]

Texto provençal
Trad. e notas: Prof. Dr. Ricardo da Costa
Tradução feita a partir da edição Guillermo IX. Duque de Aquitania y Jaufré Rudel. Canciones completas (edicion bilingue preparada por Luis Alberto de Cuenca y Miguel Angel Elvira). Madrid: Editora Nacional, 1978, p. 70-73. [deve de ser erro por 38-41].
Na página indicada podem-se consultar o resto das notas.

Na rede encontram-se versões do texto occitano com múltiplas variantes. Por exemplo:
Outra versão do texto provençal
Não deve de estar clara a data de sua morte pois em muitos lugares consta 1127.

Uma recente (2008) edição portuguesa dos poemas de Guilherme IX de Aquitânia traduz assim a primeira estrofe:

Farei versos de puro nada:
de mim, de gente desvairada,
da juventude, ou da amada,
de nada falo,
que os trovei ao dormir na estrada
sobre um cavalo.

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Paul VERLAINE, L'angoisse (1866)

Mensagem  Pedro Bravo em Ter Fev 22, 2011 12:23 pm

L'angoisse

Nature, rien de toi ne m'émeut, ni les champs
Nourriciers, ni l'écho vermeil des pastorales
Siciliennes, ni les pompes aurorales,
Ni la solennité dolente des couchants.

Je ris de l'Art, je ris de l'Homme aussi, des chants,
Des vers, des temples grecs et des tours en spirales
Qu'étirent dans le ciel vide les cathédrales,
Et je vois du même oeil les bons et les méchants.

Je ne crois pas en Dieu, j'abjure et je renie
Toute pensée, et quant à la vieille ironie,
L'Amour, je voudrais bien qu'on ne m'en parlât plus.

Lasse de vivre, ayant peur de mourir, pareille
Au brick perdu jouet du flux et du reflux,
Mon âme pour d'affreux naufrages appareille.

A Angústia

Nada em ti me comove, Natureza, nem
Faustos das madrugadas, nem campos fecundos,
Nem pastorais do Sul, com o seu eco tão rubro,
A solene dolência dos poentes, além.

Eu rio-me da Arte, do Homem, das canções,
Da poesia, dos templos e das espirais
Lançadas para o céu vazio plas catedrais.
Vejo com os mesmos olhos os maus e os bons.

Não creio em Deus, abjuro e renego qualquer
Pensamento, e nem posso ouvir sequer falar
Dessa velha ironia a que chamam Amor.

Já farta de existir, com medo de morrer,
Como um brigue perdido entre as ondas do mar,
A minha alma persegue um naufrágio maior.

Tradução de Fernando Pinto do Amaral

L'angoisse de Paul Verlaine expliqué
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ELEGIA

Mensagem  Joanlogo em Sex Fev 25, 2011 8:59 am

A alegria desapareceu dos meus anos loucos
É tão pesada quanto sombria ressaca.
Mas, como o vinho, a tristeza dos últimos dias
É mais forte com o tempo na minha alma.
O meu caminho é triste. O mar agitado do futuro
Promete-me apenas sofrimento e labuta.

Mas, ó meus amigos, eu não quero morrer,
Eu quero viver, pensar e sofrer.
Sei que alguns prazeres vou deliciar
Entre problemas, preocupações e cuidados.
Às vezes serei bebido com harmonia novamente,
Ou chorarei as minhas visões,
E é possível, no meu triste declínio,
O amor comece a piscar com um sorriso de despedida.

1830

Alexander Sergueievitch Pushkin (Moscovo, 6 de Junho de 1799 — São Petersburgo, 10 de Fevereiro de 1837)

Tradução do russo de José André Lôpez Gonçãlez.






O adeus de Pushkin ao mar. Quadro de Iván Aivazovski (1877).



Элегия

Безумных лет угасшее веселье
Мне тяжело, как смутное похмелье.
Но, как вино — печаль минувших дней
В моей душе чем старе, тем сильней.
Мой путь уныл. Сулит мне труд и горе
Грядущего волнуемое море.

Но не хочу, о други, умирать;
Я жить хочу, чтоб мыслить и страдать;
И ведаю, мне будут наслажденья
10Меж горестей, забот и треволненья:
Порой опять гармонией упьюсь,
Над вымыслом слезами обольюсь,
И может быть — на мой закат печальный
Блеснет любовь улыбкою прощальной.

1830


Алекса́ндр Серге́евич Пу́шкин (26 мая (6 июня) 1799, Москва — 29 января (10 февраля) 1837, Санкт-Петербург)

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Re: “Só poesia”

Mensagem  cdurão em Ter Mar 01, 2011 6:30 am

(Collected and Arranged by The Wolfe Tones)

The man was all shot through that came to day into the Barrack Square

And a soldier I, I am not proud to say that we killed him there

They brought him from the prison hospital and to see him in that chair

I swear his smile would, would far more quickly call a man to prayer

Maybe, maybe I don't understand this thing that makes these rebels die

Yet all men love freedom and the spring clear in the sky

I wouldn't do this deed again for all that I hold by

As I gazed down my rifle at his breast but then, then a soldier I.

They say he was different, kindly too apart from all the rest.

A lover of the poor-his wounds ill dressed.

He faced us like a man who knew a greater pain

Than blows or bullets ere the world began: died he in vain

Ready, Present, and him just smiling, Christ I felt my rifle shake

His wounds all open and around his chair a pool of blood

And I swear his lips said, "fire" before my rifle shot that cursed lead

And I, I was picked to kill a man like that, James Connolly



A great crowd had gathered outside of Kilmainham

Their heads all uncovered, they knelt to the ground.

For inside that grim prison

Lay a great Irish soldier

His life for his country about to lay down.

He went to his death like a true son of Ireland

The firing party he bravely did face

Then the order rang out: Present arms and fire

James Connolly fell into a ready-made grave

The black flag was hoisted, the cruel deed was over

Gone was the man who loved Ireland so well

There was many a sad heart in Dublin that morning

When they murdered James Connolly-. the Irish rebel

(http://www.youtube.com/watch?v=rmEqYwVFD3o)

cdurão

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Re: “Só poesia”

Mensagem  cdurão em Qui Mar 03, 2011 12:56 pm

Cunetas. (Luis Pimentel. 1895-1958)

¡Outra vez, outra vez o terror!
Un dia e outro dia,
Sen campás, sen protesta.
Galicia ametrallada nas cunetas
dos seus camiños.
Chéganos outro berro.
Señor ¿que fixemos?
-Non fales en voz alta-
¿Ata cando durará este gran enterro?
-Non chores que poden escoitarte.
Hoxe non choran mais que os que aman a Galicia-
¡Os milleiros de horas, de séculos,
que fixeron falta
para facer un home!
Teñen que encher ainda
as cunetas
con sangue de mestres e de obreiros
Lama, sangue e bágoas nos sulcos
son semente.

Docemente chove.
Enviso, arrodeame unha eterna noite.
Xa non terei palabras pra os meus versos.

Desvelado, pola mañá cedo
Baixo por un camiño.
Nos pazos onde se trama o crime
Ondean bandeiras pingando anilina.
Hai un aire de pombas mortas.
Tremo outra vez de medo.
Señor, isto é o home.
Todas as portas están pechadas.
Con ninguen podes trocar teu sorriso.
Nos arrabais
bandeiras batidas e esfarrapadas.
Deixa atrás a vila.
Ti sabes que todos os dias
hai un home morto na cuneta
que ninguén coñece ainda
Unha muller sobre o cadaver do seu home
Chora.
Chove.
¡Negra sombra, negra sombra!
Eu ben sei que hai un misterio na nosa terra,
Mais alá da neboa,
Mais alá do mar,
Mais alá da chuvia,
Mais alá do bosque.

(para Rashid Ahmed,
na sua inexistente pátria,
hoje como ontem,
e todos calamos...)

cdurão

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Re: “Só poesia”

Mensagem  Isabel em Ter Abr 05, 2011 1:06 am

Cai a noite

Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer.

Mia Couto
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Re: “Só poesia”

Mensagem  cdurão em Ter Abr 05, 2011 2:24 am

Very Happy Smile Wink

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Re: “Só poesia”

Mensagem  cdurão em Ter Abr 05, 2011 12:19 pm

A luz, a rua


... na janela, a entrever, esta noite, eu lembrei,
outra noite, quando ali, tu dormias, recordei,
essa paz, o quentor, teu arfar, no meu braço,
acarinhada, contra mim, te sentias, te querias,
abrigar, abraçar, deixar, tempo, passar,
não foi, isso, amar?...

... e agora, na paz, na rua, com luzes,
sem carros, sem vento, sem nada, sem ti...

(C. H. Benengeli)

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Re: “Só poesia”

Mensagem  cdurão em Qua Abr 13, 2011 2:59 am

Jana Gana Mana

(em Bangla : Jono Gono Mono)

"O Espírito de todo o povo"

por Robindronath Tagore (letra e música)

HINO NACIONAL DA ÍNDIA

Tradução da versão inglesa por Cecília Meireles



“Tu és o que comandas o espírito do povo

Tu, o Dispensador do destino da Índia.

Teu nome anima o coração do Penjab, do Sind,

Gujerate e Marata, de Dravid, Orissa e Bengala;

Ecôa nos montes dos Vindias e Himalaias,

mistura-se à música do Jamuna e do Gangues,

e transforma-se em ondas do Oceano Índico. Éles imploram tuas bençãos e entôam-te louvores :

A Ti, ó Dispensador do destino da Índia,

Vitória, Vitória, Vitória !



Tua voz, noite e dia, viaja de terra em terra,

convocando Indus, Budistas, Sikhis e Jainas em redor do teu trono.

e Parsis, Muçulmanos e Cristãos.

Ao teu santuário vêm oferendas, de Leste e Oeste,

Para serem tecidas numa corôa de amor.

Tu reunes os corações dos povos na harmonia de uma só vida :

Vitória, Vitória, Vitória!



Eterno condutor, guias o carro da história humana

pela estrada revolta por grandeza e decadência das Nações.

Em meio de tôdas as atribulações e terrores,

sôa tua trombeta, para animar os que despertam e desfalecem

e conduzir todos os povos por seus caminhos de perigos e peregrinação.

A Ti, ó Dispensador do Destino da Índia,

Vitória, Vitória, Vitória!



Quando a longa terrível noite era de treva espessa,

e a pátria ainda jazia num torpor,

teus braços maternais a sustentaram,

teus olhos vigilantes se inclinaram para o seu rosto

até que ela se libertasse dos negros sonhos maléficos

que oprimem o espírito.

A Ti, ó Dispensador do destino da Índia,

Vitória, Vitória, Vitória!



A noite clareia, o sol levanta-se no Oriente,

cantam os pássaros, a brisa matinal traz um bulício de vida nova.

Tocada pelos raios de ouro do teu amor,

a Índia desperta e inclina a cabeça a teus pés :

A Ti, ó Rei dos reis, a Ti, ó Dispensador do destino da Índia,

Vitória, Vitória, Vitória!”

...........................................................



Notas aclaratórias sobre este Poema-Canção elaboradas pelo Prof. José Paz da Galiza :

1.-Onde aparece a letra “j” deve ler-se sempre como o nosso “lh”

2.-Fez algumas correções para a pronuncia certa de nomes e palavras indianos. (ex. Gangues)

3.-Este poema-canção de Tagore foi adoitado como Hino oficial da Índia em 1950, após a independência.

Quando tambem foi aprovado o escudo e a bandeira. Nehru foi um dos que mais apoiou que fora este poema tagoreano, no lugar de Vande Mataram de Bonkim Chondro Chottopadhyay. Que fora o cântico de luita durante anos dos indianos pola independência da Índia, do jugo británico.

4.-O dia 27 de dezembro de 1911, no Congresso Nacional Indiano foi interpretada esta canção por primeira vez, e em idioma Bangla (bengalí). Nos seguintes dias foi adoitada já como canção oficial do Congresso. Hoje é este o partido maioritário que governa na República da Índia, com apoio de outros partidos. A líder do mesmo é Sonia Gandhi, esposa de Rajiv Gandhi (filho de Indira e neto de Nehru), que falecera num atentado.

5.-Existiu certa polêmica por ter adoitado o poema de Tagore como hino, pois parece ser que este poema fora escrito para uma receição ao virrei británico. Mas ao final foi aceite por todos, posto que em ele se reflicte a irmandade e solidariedade entre os diferentes povos, estados, culturas e religiões do sub-continente indiano. No que, dentro da sua grande diversidade, existe uma grande unidade entre todos (por exemplo : só existe uma bandeira, a laranja, branca e verde). Na Índia é muito importante que, dada a grande diversidade, todas as pessoas se respeitem, à margem de ideias, credos, idiomas e filosofias.

Por isto, normalmente trunfam nas eleições os partidos laicos, como o do Congresso, para evitar conflitos inter-religiosos, que seriam muito graves neste imenso país que é Índia. O país da Paz, das cores, de Gandhi e Tagore (como o denomino eu).

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Re: “Só poesia”

Mensagem  Isabel em Qua Abr 13, 2011 8:05 am


¡Oh mar, no esperes más!


Tengo caído el sueño
y la voz suspendida de mariposas muertas.
El corazón me sube amontonado y solo
a derrotar auroras en mis párpados.

Perdida va mi risa
por la ciudad del viento más triste y devastada.
Mi sed camina en ríos agotados y turbios,
rota y despedazándose.

Amapolas de luz,
mis manos fueron fértiles tentaciones
de incendio.
Hoy, cenizas me tumban para el nido distante.

¡Oh mar, no esperes más!
Casi voy por la vida como gruta de escombros.
Ya ni el mismo silencio se detiene en mi nombre.
Inútilmente estiro mi camino sin luces.
Como muertos sin sitio se sublevan mis voces.

¡Oh mar, no esperes más!
Déjame amar tus brazos con la misma agonía
con que un día nací.
Dame tu pecho azul,
y seremos por siempre el corazón del llanto...


Julia de Burgos
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Re: “Só poesia”

Mensagem  Isabel em Qua Abr 13, 2011 8:06 am

A JULIA DE BURGOS

Ya las gentes murmuran que yo soy tu enemiga
porque dicen que en verso doy al mundo mi yo.
Mienten, Julia de Burgos. Mienten, Julia de burgos.
La que se alza en mis versos no es tu voz: es mi voz
porque tú eres ropaje y la esencia soy yo; y el más
profundo abismo se tiende entre las dos.
Tú eres fria muñeca de mentira social,
y yo, viril destello de la humana verdad.
Tú, miel de cortesana hipocresías; yo no;
que en todos mis poemas desnudo el corazón.
Tú eres como tu mundo, egoísta;
yo no; que en todo me lo juego a ser lo que soy yo.
Tú eres sólo la grave señora señorona; yo no,
yo soy la vida, la fuerza, la mujer.
Tú eres de tu marido, de tu amo; yo no;
yo de nadie, o de todos, porque a todos, a
todos en mi limpio sentir y en mi pensar me doy.
Tú te rizas el pelo y te pintas; yo no;
a mí me riza el viento, a mí me pinta el sol.
Tú eres dama casera, resignada, sumisa,
atada a los prejuicios de los hombres; yo no;
que yo soy Rocinante corriendo desbocado
olfateando horizontes de justicia de Dios.
Tú en ti misma no mandas;
a ti todos te mandan; en ti mandan tu esposo, tus
padres, tus parientes, el cura, el modista,
el teatro, el casino, el auto,
las alhajas, el banquete, el champán, el cielo
y el infierno, y el que dirán social.
En mí no, que en mí manda mi solo corazón,
mi solo pensamiento; quien manda en mí soy yo.
Tú, flor de aristocracia; y yo, la flor del pueblo.
Tú en ti lo tienes todo y a todos se
lo debes, mientras que yo, mi nada a nadie se la debo.
Tú, clavada al estático dividendo ancestral,
y yo, un uno en la cifra del divisor
social somos el duelo a muerte que se acerca fatal.
Cuando las multitudes corran alborotadas
dejando atrás cenizas de injusticias
quemadas, y cuando con la tea de las siete virtudes,
tras los siete pecados, corran las multitudes,
contra ti, y contra todo lo injusto
y lo inhumano, yo iré en medio de
ellas con la tea en la mano.

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Re: “Só poesia”

Mensagem  cdurão em Qui Abr 14, 2011 2:13 am

Capvespre

Has esperat, al caient de la tarda,
la simfonia d'un capvespre endolcit,
l'esclat de llum, la plenitud diàfana,
la serenor que precedeix la nit;
has resseguit l'espai amb la mirada,
se t'han perdut els ulls en l'infinit,
i has escoltat l'oreig entre les branques
com el fraseig d'un vers de metre antic...
No hi ha res mes. Aquí el camí s'acaba.
Detura el pas i encalma l'esperit.
Acluca els ulls. Guarda dins teu la tarda,
el cel, la llum, la resplendor subtil
d'aquest ponent que lentament avança
d'un esclat a un no-res. Principi i fi.

Josep A. Vidal

Octubre, 2008 (http://estrolabio.blogs.sapo.pt/1279330.html)

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Re: “Só poesia”

Mensagem  cdurão em Qui Abr 14, 2011 1:11 pm

Non amo te, Sabidi, nec possum dicere quare;
Hoc tantum possum dicere: non amo te

(Marcus Valerius Martialis, Epigramma xxxiii)

a melhor versão é a de Tom Brown (1680):


I do not like thee, Doctor Fell
The reason why - I cannot tell

But this I know

And know full well

I do NOT like thee, Doctor Fell

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Re: “Só poesia”

Mensagem  cdurão em Sex Maio 06, 2011 11:56 pm

Rosalia: “Quíxente tanto, meniña…”, em catalão:


–“Tant t’he volgut, donzelleta, –tan gran fou aquest amor,

Que per mi n’eras la lluna, –l’alba clara, brillant sol;

Del jardí la flor trïada, –l’aygua de la fresca font,

L’alé que’m dava la vida… –Ay!... La vida del meu cor.

Així’t parlava jo un dia –prop de l’hermita de Sant Roch,

Trist y ab lo cor plé d’angúnia –y ardent y plé de passió;

Mentrestant, tu m’escoltavas –espellicant una flor.

Baixant tos ulls… que amagavan –del teu cor la trahició!

Poch després, que si’m digueres –en proba de ton amor,

Y un bermell clavell m’en davas – que’m mon pit guardí,

¡Malehit clavell!.. ¡tan negret! –¡que’m ferí llavors!

Mes… al passar la riera, –caygué… y aná á fons dun gorch!..

¡Oh! ¡Si tal camí tu fesses!.. –¡Valdament!..Ah, ¡tant de bo!..

(Tradutor: Joan Sitjar y Bulsagueda) [http://www.anosaterra.org/nova/51715/rosalia-poeta-de-prestixio-en-catalunya.html]

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Re: “Só poesia”

Mensagem  cdurão em Qua Maio 25, 2011 1:16 am


Do outro lado, do universo...

... pensaste, amiga, que duraria, a caminhada, não foi assim,
e que os amigos, te seguiriam, compartiriam, a tua fé,
não foi assim, que toparias, neles conchego, calor, carinho,
não foi assim, partilhariam, os teus desvelos, não foi assim,
afinal foste, sempre tu só, a percorrer, as duras pedras,
duraste, firme, com tua dor, sem seu amor, teu esplendor,
bem hajas, cara, fizeste bem, deixaste esteira, por ela vou,
sei que me espera, igual que tu, só duro andar, só perdurar...

(C.H.B.)


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Re: “Só poesia”

Mensagem  Isabel em Qua Maio 25, 2011 2:00 am



No fundo da esteira,
lá no difuso horizonte,
avança ainda na caminhada
a luz que, sozinha, dura
até que se apaga.


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Re: “Só poesia”

Mensagem  cdurão em Seg Maio 30, 2011 2:43 pm

Eram um os nossos corpos
E uma as nossas duas almas...!
Como hei esquecer eu nunca
Aquela aperta apertada!

(Cantares Galegos, Leiras Pulpeiro)

cdurão

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Re: “Só poesia”

Mensagem  Isabel em Sab Jun 11, 2011 4:14 am

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Isabel

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Re: “Só poesia”

Mensagem  cdurão em Sab Jun 11, 2011 12:36 pm

Ilusão...

... mulher, na minha vida, no escuro, endurecido,
aparecem-me, os teus olhos, luminosos, com engado,
e no frio, do trabalho, me apresentas, quente e feita,
a tua boca: sai o sol!, a tua presença, que me inunda,
o sangue as veias, e arrequenta, o sangominho, enterecido,
e agarima, com ternura, o meu ser, despossuído,
entesoura, a tua ilusão: tu me dás vida, obrigado...

(C.H.B.)

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Re: “Só poesia”

Mensagem  cdurão em Qua Jun 15, 2011 3:20 am

Czeslaw Milosz - Meaning (http://www.poetryconnection.net/poets/Czeslaw_Milosz/15340)

When I die, I will see the lining of the world.
The other side, beyond bird, mountain, sunset.
The true meaning, ready to be decoded.
What never added up will add Up,
What was incomprehensible will be comprehended.
- And if there is no lining to the world?
If a thrush on a branch is not a sign,
But just a thrush on the branch? If night and day
Make no sense following each other?
And on this earth there is nothing except this earth?
- Even if that is so, there will remain
A word wakened by lips that perish,
A tireless messenger who runs and runs
Through interstellar fields, through the revolving galaxies,
And calls out, protests, screams.

cdurão

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Re: “Só poesia”

Mensagem  Isabel em Seg Jun 20, 2011 7:06 am


TÃO SÓ

Os dous, da terra longe
andamos e sofremos, ai de mim!
Mas tu, tu tão só, te recordas dela,
e eu, dela e mais de ti.

Ambos errantes pelo mundo andamos
e as nossas forças acabando vão.
Mas, ai!, tu nela toparás descanso,
e eu, eu tão só na morte o hei de topar.


Folhas Novas, Rosalia de Castro
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Isabel

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Re: “Só poesia”

Mensagem  Isabel em Seg Jul 04, 2011 3:58 am


Married to a Mermaid

from a play in 1755 called "The Masque of Brittania"


There was a gay young farmer,
Who liv'd on Salisbury plain;
He lov'd a rich Knight's daughter dear!
And she lov'd him again.
The Knight he was distressed,
That they should sweethearts be.
So he had the farmer soon pressed,
And sent him off to sea.
Singing Rule Britannia,
Britannia rules the waves
Britons never, never, never shall be slaves...

'Twas on the deep Atlantic,
Midst Equinoctial gales;
This young farmer fell overboard
Among the sharks and whales;
He disappeared so quickly,
So headlong down went he,
That he went out of sight
Like a streak of light
To the bottom of the deep blue sea.
Singing Rule Britannia,
Britannia rules the waves
Britons never, never, never shall be slaves...

We lowered a boat to find him,
We thought to see his corse,
When up to the top he came with a bang,
And sang in a voice so hoarse,
'My comrades and my messmates,
Oh, do not weep for me,
For I'm married to a mermaid,
At the bottom of the deep blue sea.'
Singing Rule Britannia,
Britannia rules the waves
Britons never, never, never shall be slaves...

He said that as he went down,
Great fishes he did see;
They seemed to think as he did wink,
That he was rather free.
But down he went so quickly,
Saying, ''Tis all up with me,'
When he met a lovely mermaid
At the bottom of the deep blue sea.
Singing Rule Britannia,
Britannia rules the waves
Britons never, never, never shall be slaves...

She came at once unto him,
And gave him her white hand,
Saying, 'I have waited long, my dear,
To welcome you to land.
Go to your ship and tell them,
You'll leave them all for me;
For you're married to a mermaid
At the bottom of the deep blue sea.'
Singing Rule Britannia,
Britannia rules the waves
Britons never, never, never shall be slaves...

The wind was fair, the sails set,
The ship was running free;
When we all went to the captain bold,
And told what we did see.
He went unto the ship's side,
And loudly bellowed he,
'Be happy as you can, my man,
At the bottom of the deep blue sea.'
Singing Rule Britannia,
Britannia rules the waves
Britons never, never, never shall be slaves..
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Re: “Só poesia”

Mensagem  cdurão em Sab Jul 09, 2011 2:11 am

Poema Melancólico a não sei que Mulher

Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.

Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão...

Miguel Torga, in 'Diário VII'

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Re: “Só poesia”

Mensagem  cdurão em Dom Jul 10, 2011 12:44 am

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

(Luís de Camões)

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Re: “Só poesia”

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