Morreu, em Portugal, o pintor moçambicano Malangatana

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Morreu, em Portugal, o pintor moçambicano Malangatana

Mensagem  Nambuangongo em Sex Jan 07, 2011 12:44 pm



Lisboa - O pintor moçambicano Malangatana morreu, nesta quarta-feira (5), aos 74 anos, no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, cidade do norte de Portugal, vítima de doença prolongada. O pintor encontrava-se internado há vários dias naquele estabelecimento.

Artista plástico moçambicano, distinguido internacionalmente, além da pintura fez cerâmica, tapeçaria, gravura e escultura. As suas obras estão presentes em museus e colecções particulares de vários países, desde Portugal, Angola, Moçambique e Brasil, à Índia, Cabo Verde, Nigéria, Bulgária, Suíça, Estados Unidos e Uruguai, entre outros.

Malangatana foi também poeta, actor, músico e bailarino, organizou festivais, criou o Museu Nacional de Arte de Moçambique, e colaborou com a UNICEF. Em 1997, foi nomeado artista Unesco para a paz.

Valente Malangatana nasceu em Matalana, em 1936. Estudou na Escola da Missão Suiça de Matalana e na Escola da Missão Católica de Ntsindya, em Bulaze. Depois de obter o diploma da 3ª classe foi para Lourenço Marques (Maputo), a capital de Moçambique, então colónia portuguesa.

Em 1958 frequentou o Núcleo de Arte onde conheceu o pintor Zé Júlio, que o apoia. Em 1961 efectou a sua primeira exposição individual. Em 1971 foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbekian, de Portugal,em gravura e cerâmica.

Entre outras condecorações, Malangatana foi disitinguido com a Medalha Nachingwea pela contribuição dada à cultura moçambicana e em Portugal recebeu a Ordem do Infante D. Henrique.





Museus e colecções

As obras de Malangantana estão prseentes em museus, galerias e colecções particulares de diversos países. A arte de Malangatana pode ser vista no M'Bari de Oshogbo, Nigéria, no Museu de Arte Contemporânea de Lisboa, no Museu Nacional de Luanda, na National Gallery of Comtamporany Art de Nova Deli, na National Art Gallery de Harare, Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, na colecção do Partido Comunista Português, no Museu Nacional de Arte de Moçambique.

Exposições

Algumas Exposições Individuais

1961 - Edifício das Associações Económicas, Lourenço Marques.
1985 - Atelier de António Inverno, Lisboa. Desenho na Galeria Almadanada, Almada.
1986 - II Bienal de Havana. Exposição retrospectiva, Museu Nacional de Arte - 25 anos do artista/50 anos de idade, Maputo. Exposição retrospectiva, Leipzig, Chiverine e Berlim.
1987 - Exposição retrospectiva, Sófia. Exposição retrospectiva, Palais Palphy e AAIC, Viena.
1989 - Grenwich Citizens Gallery, Londres. Exposição retrospectiva, Sociedade Nacional de Belas- Artes, Lisboa. Worlds Maaimat 90, Jaensun, Finlândia.

Algumas Exposições Colectivas

1961 - "Imagination 61", Universidade do Cabo, África do Sul.
1985 - "10º Aniversário da República Popular de Moçambique", Casa dos Bicos, Beira e Núcleo de Arte, Maputo. "Artistas do Mundo contra o Apartheid", Roissy-Ch. de Gaule e La Maison de L'Etranger, Marselha. "Hommage aux Femmes", Berlim.
1986 - Semana de Moçambique, Roma. Exposição colectiva de Paço D'Arcos.
1987 - Semana Cultural de Moçambique, Estocolmo.
1989 - Aniversário da OUA, Maputo. Aniversário da ONJ, Maputo. 5º Congresso do Partido Frelimo, Maputo. "Amor e Arte", Maputo. "Encontro de Escritores de Língua Portuguesa".

Alguns Prémios

1959 - Menção honrosa no I Concurso de Artes Plásticas de Moçambique, Associação dos Naturais de Moçambique, com "Mulher na Cidade". 1962 - 1º Prémio de Pintura "Comemorações de Lourenço Marques", com "A Humaninade". 1968 - 2º Prémio de Pintura (ex-aequo" "Comemorações do 24 de Julho", com "Última Ceia". 1970 - Diploma e Medalha de Prata como Membro "Honoris Causa" da Academia Tomase Campanella de Artes e Ciência. 1971 - Bolseiro em Lisboa da Fundação Calouste Gulbenkian, em cerâmica e gravura. 1982 - Artista convidado para "Artistas do Mundo contra o Apartheid", das Nações Unidas. 1984 - Medalha Nachingwea, pela contribuição dada à Cultura Moçambicana. 1985 - Artista convidado para presidir ao júri da National Annual Art Exhibition os Zimbabwe. 1989 - Prémio de Artes Plásticas atribuído pela secção Portuguesa da Assocition International des Critiques d'Art (AICA-SEC).

Fonte: África 21

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Testemunho destaca Malangatana na luta pela independência de Moçambique

Mensagem  Nambuangongo em Seg Jan 17, 2011 7:04 pm

Maputo – A morte de Malangatana Ngwenya, na madrugada de quarta-feira (5), em Portugal, surpreendeu o último amigo a vistá-lo no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, nos arredores da cidade do Porto, onde o artista estava internado. “Passei o dia todo com ele.

Estava lúcido e feliz, embora já lutando contra a morte”, disse, por telefone, o advogado e ex-cônsul de Moçambique no Porto, Augusto Macedo Pinto. “Falamos trivialidades, lembrando o passado. Ele estava satisfeito por ter recebido duas mensagens do presidente [de Moçambique, Armando] Guebuza durante o dia”.

Malangatana lutava contra um câncer descoberto havia pouco tempo. “A doença o incomodava muito, atrapalhava a respiração”, disse o advogado, sem entrar em detalhes da doença.

O governo de Moçambique vai providenciar o transporte do corpo do pintor para Maputo, capital do país. Além de artista reconhecido mundialmente, Malangatana Ngwenya foi deputado na Assembleia da República, vereador em Maputo, membro do Conselho de Estado e titulado doutor honoris causa por várias universidades.

“Foi uma pessoa que sofreu o colonialismo na pele, ficou preso um ano e meio pela PIDE [Polícia Internacional e de Defesa do Estado]. Lutou pelos ideais da independência”, ressaltou Macedo Pinto, lembrando o envolvimento de Malangatana na luta pelo fim do regime colonial português em Moçambique.

De tão famoso, Malangatana virou sinônimo de dinheiro em Moçambique. Com uma foto impressa na antiga cédula de 5 mil meticais (a moeda moçambicana), o poeta ficou com o nome atrelado à nota. Era comum moçambicanos pedirem por “um malangatana”, quando se referiam ao valor. Algo parecido com o que o ocorreu no Brasil com a antiga nota de 1.000 cruzeiros, conhecida nas ruas como “um barão” por causa da estampa do Barão do Rio Branco.

Nomeado Artista da Paz pela Unesco, Malangatana Ngwenya (crocodilo, na língua changana, a mais comum na região de Maputo) é reverenciado no mundo todo pelos retratos que fez da guerra colonial em seu país, com rostos expressivos, traços firmes e cores fortes. Enormes murais decoram vários prédios em Maputo, como, por exemplo, o salão de entrada do Ministério do Interior, as instalações da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) e as paredes externas do Museu de História Natural.

Fonte: África 21
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