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Mensagem  paulo em Qui Fev 17, 2011 3:26 pm





Última edição por paulo em Qui Mar 03, 2011 12:17 am, editado 1 vez(es)
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Mensagem  Nambuangongo em Qui Fev 17, 2011 4:24 pm

Em qual articulas os pensamentos? Essa é a tua língua materna.

E o normal em pessoas verdadeiramente plurilíngues é ter várias línguas maternas, ainda que com distinto grau de maternidade...
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Nambuangongo

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Mensagem  Pedro Godinho em Qui Fev 17, 2011 5:04 pm

Em que língua sonhas? E que língua escolhes como tua?
Eu, português, escolho o português (filho do galaico) por ser a língua dos meus egrégios, porque com ela cresci e me fiz homem, mas também pela sua beleza e por ser nela que melhor falo dos meus amores, alegrias e tristezas.
Mas gosto igualmente de outras línguas, que procuro aprender como se tivesse crescido com elas - quantas mais melhor, e a pluralidade é bom.
O que de todo não aceito é que tentem impedir-me de falar o meu português - parte de quem sou, da minha identidade - qualquer que seja o pretexto e que, pela imposição, a outra língua me queiram obrigar.

Talvez gostes do seguinte texto de Clarice Lispector (nascida na Ucrânia, emigrada para o Brasil com 2 meses, cuja infância se passou no meio do ídiche materno), que escolheu escrever em português (do Brasil).

"Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguajem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo. Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o imprevisto de uma frase. Eu gosto de manejá-la - como gosto de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às vezes para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.
Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega.
Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida."

Pedro Godinho

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