A FUTILIDADE DO FUNDAMENTALISMO LUSISTA

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Refocando

Mensagem  Gascon em Dom Maio 15, 2011 2:27 am

Tendo explorado e contemplado a questóm do lusismo e o isolacionismo de diferentes pontos de vista, por vezes contraditorios e por vezes complementares, venho de chegar a umha visóm mais “moderada“, a respeito da futilidade do fundamentalismo lusista. Como dixem noutro fio, penso que caminharmos cara umha dualidade normativa nom é tam prexudicial, e de facto ese parece ser o único caminho posível, desde que o galego isolino está xa, após mais de 30 anos a dar a mazada, bem asente no imaginario galego, especialmente nas novas geraçóns de neofalantes. Cumpre simplesmente poder fazer, e saber como, umha reforma desespanholizadora, no senso em que a minha escrita, e oralidade, apontam. Iso é tarefa para os “oficialistas“ nom isolopatas, e penso que vai ser feita, cecais nos próximos 10 anos. O trabalho incansavel do reintegracionismo será desa forma concretizado no outro campo.

Polo que toca o fundamentalismo lusista, penso que seria futil se se convertise em corrente dominante no reintegracionismo, o qual está longe de acontecer, acho. Enquanto estiver apenas coma umha corrente mais dentro do reintegracionismo, a sua influencia nom poderá ser negativa. Por exemplo, agora que a AGLP está a preparar umha gramática do português da Galiza, se os agentes fundamentalistas que trabalham nesa gramática (o Celso, e seica algúm outro) impuxesem a sua ideia de galego (igual a português) e nom deixasem espazo para uns mínimos elementos e materiais exclusivamente e diferenciadoramente galegos (mesmo recolhidos na forma de “small writing“) entóm estariamos a trabalhar contra o galego, porque as distancias com as gramáticas isolinas (algumhas, segundo dim, moi boas) seriam demasiado grandes, e haveria um claro conflito excluinte entre as duas propostas. Se, polo contrario, os elementos fundamentalistas, ou a corrente fundamentalista que poida percorrer em qualquer momento qualquer individuo reintegracionista, nom conseguirem apagar as tendencias “galego-diferenciadoras“ nesa obra, entóm acabaríamos cumha obra que nom seria incompativel cumha futura gramática do galego “desisolopatizado“, e até teria um efecto positivo cara a elaboraçóm desa outra gramática oficialista.

En resume, o dia que o Fundamentalismo Lusista se impuxer como corrente dominante, deixarei de acreditar no reintegracionismo. Mas polo de agora, estando limitado a uns quantos elementos, que nom impedem o lavor pedagógico do Fagim e cia, por exemplo, nom creio que sexa prexudicial.

Lamento os meus pasados ataques veementes, mas para chegar a certas conclusóns é-me necesario abordar o problema de todas as posiçóns posiveis, e nom só, cumpre imerger-se nele e abalar a análise racional cos sentimentos (mais íntimos) que um galego, e só um galego, poida experimentar.
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Re: A FUTILIDADE DO FUNDAMENTALISMO LUSISTA

Mensagem  Gascon em Qua Jun 01, 2011 5:38 am

O reintegracionismo radical, ou fundamentalismo lusista, que está permanentemente “instalado“ nalguns reintegracionistas (Celso, A. Gil, Isabel Rei, João Logo, Nambuangongo, etc, etc), tamém percorre intermitentemente, com maior ou menor intensidade, outras pessoas e espaços do eido reintegracionista (eu fui um caso, por exemplo). O que o caracteriza é o jeito que tem de interpretar a “realidade“ e, consequentemente, de agir. Esta ideologia linguística, que postula uma unidade normativa, uma só norma culta para a língua portuguesa, na qual o galego deve ser inserido, não concede nada aos usos vernaculares galegos, mesmo aqueles elementos dele menos suspeitos de castelanização. Daí, em parte, o não ter sucesso fora dos seus reduzidíssimos âmbitos. Fazer qualquer concessão aos usos populares galegos riscaria romper a unidade da língua, e de facto seria, por princípio ideológico, um exercício de debilidade dialetal, e saído de mentes colonizadas polo espanholismo. Riscaria-se deixar o galego de fora da língua portuguesa, a sua única possível via e futura sobrevivência.

No seguinte comentário vou-me focar em como o peso da idelogia reintegracionista radical contribue para a marginalização do reintegracionismo, aliás, para o “ressabiamento“ e esclerose da ideologia antagonista, o isolacionismo imperante. Esta ideologia lusista radical que eu venho criticando só poderá ser beneficiosa em dous cenários: um, aquele em que a maioria dos galegos a incorporassem ao seu “credo“. Algo muito longe da realidade de hoje, e da de amanhã. Outro, naquele em que se acha hoje, creio eu: marginal entre os reintegracionistas. Os discursos dos fundamentalistas, verdade, ainda contribuem para dar fôlegos a todos os reintegracionistas (especialmente na crítica e exégese do espanholismo, que pervade por toda a parte) ... namentres não se constituírem nas únicas vozes.

O dia que o reintegracionismo radical “se fizer com o controlo“ do reintegracionismo, sendo este, como é, uma minoria dentro do país, a língua galega, aliás, a nação galega, estará condenada. Felizmente, gente como o Fagim anda a divulgar o reintegracionismo “moderado“. Se este conseguir entrar no “ideário“ dos galegos, do galego “mainstream“, então o isolacionismo comezaria a entrar em queda livre. E este caminho, de erosão progressiva do isolacionismo, é o único transitável, ao meu entender.

No seguinte comentario vou explicar o perigo que o reintegracionismo radical vem ignorando, ou vem pretendendo combater, mas carece das estratégias e das forças para tal íngreme tarefa: a espanholização e espanholidade dos galegos. E vou propor como se pode ir, do reintegracionismo, desmontando esa ideologia e estado mental em que vêm vivindo, e se reproduzindo, os galegos. Mas o Fagin e cia. com certeza que já comprenderam de que vou a falar ...
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Re: A FUTILIDADE DO FUNDAMENTALISMO LUSISTA

Mensagem  paulo em Qua Jun 01, 2011 12:15 pm

Do meu ponto de vista pode-te a ideologia e mais o sentimento. O debate sobre a língua, quando se faz nacional, perde-nos a todos.

A mim a ideia da nação galega importa-se-me pouco. Para mim as línguas constituim uma possiblidade de crescer pessoalmente, e cada palavra ou expressão que depreendo faz-me feliz, com uma felicidade quase física. Eu adiro a causa do reintegracionismo por ser-me fantástica e irreprochável do ponto de vista científico, além de valorizar palavras velhas que eu escutava de criança.

O português não tem para mim, porém, qualquer interesse identitário. E se não o tem o português nem che tenho que dizer o que o "galego": o valor identitário do galego/português para mim é igual de zero. Para mim trata-se duma língua estrangeira, embora certamente não alheia. Leio avondo em português -- o "galego" arrombei-no por não atrapalhar-me--, e vou aínda fazer o esforço, que nem sei se darei feito, de meter-lhe duas horinhas ao francês (1 hora de France 24 + 1 hora de anotações, leitura de jornais online, estudo de gramática, séries lexicais coerentes, etc...). Tenho claro que a minha língua manterna é a espanhola (de mãe e de aprendizagem natural em todos os ámbitos desde o primeiro minuto de jogo da minha vida), e é por isso que não me cai nenhum mundo enxebre idílico nacional castrejo nem gaita -aragonesa ou búlgara incluída- ao chão.

A impossibilidade científica de depreender línguas após os quarenta anos cum nível aceitável de domínio faz-me botar fóra a ideia do inglês, mas fornece-me a vontade do português (estrangeiro, mas não alheio) e com imenso mais esforço do francês (estrangeiro, alheio e "impossível"). A ideia é poder expremer-me coeerentemente nas três principais línguas románicas, ou seja, poder viajar cuma certa expectativa de sucesso onde for, aínda sendo só pelo efeito da soma de romances e o incremento progressivo de encontrar onde vaia qualquer pessoa cum certo gráu de domínio de qualquer das três línguas.

A ideia é essa. Aprendizagem e exercício mental e também exercício físico (embora um chisquinho descuidado na altura) para manter-me nuns níveis de segregação (??) endorfínica que possa dar-lhe um aquele de interesse a uma época pessoal de dificuldade na procura de motivações (uma vez que o futebol há tempo que não me motiva, o patrotismo não me eleva ao entusiasmo e o sexo faz-se-me a cada mais cousa do passado).

É por isso que eu não tenho problema identitário nem estou abrangido pelo pescoço duma avó a bisbalhar-me palavras enxebres, nem sequer acho interessante a literatura galega de qualquer tempo, nem sequer gosto do povo português (acho-o atrassado e pobre, em crise de autonojo e negação, de cidades sujas e gentes simples; e muito menos do povo brasileiro, cujos níveis de violência e sensualidade são-me alheios e desnecessários por igual). Acho concordar contigo (tu dirás) na sobrevaloração do lusitanismo como alvo de glória certa: não existem as panaceias. Nisto acredito sermos, os neófitos galegos, os mais aderintes dos aderintes, com a fé do converso. E isto tampouco não é.

E porém, não sendo patriota, sou espanhol (detento, quer dizer, a condição jurídica de tal, o qual sem dúvida é melhor que detentar a condição jurídica de somalí). E uma certa ideia de Espanha multicultural e multilingüe faz-me dar águas na boca. Abanei ideologicamente com a ideia estúpida das três colunas da Ibéria: o estado natural galaicoportuguês, o estado castelhano e o estado catalão a vivirem juntos em paz. Cousas do Pessoa e aínda do Castelao... pero nem sequer acredito ser possível essa Espanha por: a) burra de mais para aceitar sua própria riqueza; b) sociologicamente fascista de mais para aceitar que é melhor apreender qualquer língua diversa da mesetária; c) geneticamente predisposta à burrície, às touradas e a emporcar as ruas, entre outros sinais de identidade colectiva acrescentados com a geralização da aceitação da corrupção política, a brutalidade policiar impune, a correcção política em cousas que nem têm importância real nenhuma (los niños y las niñas), etc, etc, etc...


Assim que há tempo que renunciei a pintar mapas. Sou espanhol, juridicamente. Vamos fazer que seja a cada menos motivo de envergonhamento, aínda sendo isto difícil. Pero é o que assumo. Gostaría mais ser canadiano ou aínda belga!. Pero não é.

Perdi o fío há já tantos parágrafos que vou cortar cá.

::::::::::::::::::::

Abraços, meu gascon espadachín.
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Re: A FUTILIDADE DO FUNDAMENTALISMO LUSISTA

Mensagem  Gascon em Qua Jun 01, 2011 1:50 pm

Caro Paulinho, vem muito a calhar o teu comentário. Acho que estás a misturar alhos com bugalhos, meu, e isso não adianta nada a ninguem. Uma cousa é as circunstâncias pessoais, e outra as coleitivas. O facto de tu nom teres tido a oportunidade de ter mamado o galego/português já do berce não significa que ele seja para ti, e para todos os galegos na mesma situação, uma língua estrangeira. Há milhares e milhares de cidadãos británicos que, por serem dum grupo étnico vindo ao país apenas nos últimos tempos (eu, por exemplo), considerariam o inglês “uma língua língua estrangeira, embora certamente não alheia“ (para te citar a ti próprio). Mas na escola se lhes aprendeu a língua legítima do país, o inglês. No país galego não aconteceu assim, mas isso não legitimiza o castelhano como língua dos galegos (a menos que adiras à ideologia espanholista), polo menos enquanto existirem falantes de galego (mesmo que o falem mal). Se queres passar o tema privado para o público, então não há país que não tenha tropezentas línguas legítimas, sendo a própria estrangeira para aqueles que não lhes calhou de a falar em primeiro lugar! Mas a ninguem no Reino Unido se lhe occorre dizer que o inglês é aqui estrangeiro; apenas dirão que ignoram a língua do país, o inglês, ou que não o dominam como quisserem ... por tanto, para os galegos o galego / português (segundo a ideologia) nunca será estrangeiro. Eu prefiro dizer que há analfabetos, ou burros, ou ignorantes, mas nunca que o galego não é a língua DA COMUNIDADE / PAÍS / NAÇÃO. Quem não a conhecer / dominar, é ignorante, pobrinho/a, e não se passa nada!


Ora, na casa, ou na rua, cada quem é livre de falar o que quisser, mas isso não tira legitimidade à língua legítima do país. Se considerarmos como língua legítima da Galiza o castelão, por ser a mais conhecida / empregada, então poderemos considerar o arabe, o rumeno, etc, como línguas legítimas espanholas, não achas ... ?

Mas o facto de uma pessoa não falar bem a língua do país não implica que essa ignorância / incompetência deva ser transmitida aos seus descendentes. Ninguém lhes tira o direito de lhes falarem em castelhano, alemão, urdu ou castrapo, mas denegar-lhes o direito de aprender bem a sua língua não tem nenhuma justificação. Se tiveres filhos, por exemplo, poderias falar-lhes em castelhano, ou no que che petar, mas eles deveriam ter o direito a aprender a língua do país corretamente, e a a empregar corretamente na vida pública. Que tu não tenhas disfrutado esse direito não justifica o se lhe tirar a eles, não achas ... ?

Parece-me bem que a gente queira adeprender idiomas (eu mesmo os aprendo e os ensenho) mas na mesma altura coloco o desejo de apreender a tocar um instrumento musical, a saber dançar kuduro, ser judoka, saber reflexologia, etc, etc. Uma pessoa pode ser melhor ou pior em qualquer destas disciplinas, mas nenhuma delas lhe dá uma identidade nacional / comunitaria. Nenhuma delas estabelece um vencelho com os antergos, e com o país, e mesmo com a natureza: isso é a prerrogativa da língua nacional / comunitaria, mesmo que seja mal falada / escrita. Se tu queres admitir que as circunstâncias políticas e pessoais apagam esta simples prerrogativa humana, então podes também renunciar ao direito à biodiversidade, a protecção do meio-ambiente, etc. Estás a justificar o discurso neoliberal, o de Galicia Bilíngua, o espanholismo, etc.



Enfim, senhores reintegracionistas: eis um exemplo do grave problema que tenhem: nas suas próprias fileiras têm espanholistas, gente que aprende o “português da Galiza“ porque gosta de aprender os idiomas (não muito complicados), mas não porque não porque sintam que o espanhol é alhéio à Galiza. Este era o problema de que falava. E, como podem ver, não desaparece por muito til de nasalidade que se escrever ...



Saúde, Paulinho, e não mistures as simpatias (polos espanhois, que eu também tenho) com as identidades: se não admitires a tua condição de galego (mesmo “ignorante“, embora muito menos do que a maioria de nós) antes de a de espanhol, estarás a aderir à ideologia espanholista. Que lhe queres, os homens não che somos anxelinhos ... !
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Re: A FUTILIDADE DO FUNDAMENTALISMO LUSISTA

Mensagem  paulo em Qui Jun 02, 2011 6:48 am

Faz apenas um mês estive em Londres, sem falar nem chío de inglês (viagem organizada, naturalmente, como viajamos os ignorantes nada dados da aventura). Em qualquer caso, dados certos que não che surpreenderam morando tu na Inglaterra: entrar a beber cerveja com os nativos não foi problema (rapaz de Jaén acarão, na barra); comer um petisco no Hotel, não representou problema algum (rapaza de Málaga e “bocatas” saborentos).

Visita ao Museu Britânico: um liceu de Caldas de Reis (¿?) em fim, da Galiza: jovem professora a falar galego/português –sotaque da Galiza-; outra comida, antes de subir à nora: rapaza inglesa de moço brasileiro a falar-nos em português: (“vocês gostam?”), e gostamos, sim.

E aínda, muitos a falar espanhol nas visitas turísticas, e aínda um grupelho de rapazes a falar catalão no metro.

E assim, por demais.

:::::::::::::::::::::::::::::

Não dou para ser cosmopolita, dado que viajei pouco de mais, pero nem sou tampouco dos que se emocionam com o som duma gaita escocesa perto da Abadía de Westminster, nem de escutar falar galego em pleno Londres. A pátria são-me todos os territórios que faço meus e passam ao meu chip, o que vejo, ouço, identifico e arquivo. Concedo-lhe um valor comunicativo às línguas, o identitário sobeja-me. O terreno das emoções tenho-o frangalhado. Se a pátria são as emoções que um experimenta em terra desconhecida quando percebe qualquer cousa conhecida (uma língua, um instrumento musical), então é que sou brasileiro, galego, catalão, espanhol, argentino e escocês, até. Pero não sou muito de emoções, sou mais de aproveitar com inteligência as poucas lições de línguas que tomei e os excassos recursos que possuo; adaptação ao meio… nada a ver com nacionalismo. O nacionalismo não me interessa.

::::::::::::::::::::::::::::

Como escrevo do Trabalho estou um pouco disperso, pero basicamente incido na utilidade dos recursos lingüísticos para conseguir agatunhar a uma nora, ligar um petisco ou dar um grolo sem ter de dar de braços ou fazer o parvo.

Do demais, os espanhóis nem me caim bem nem mal. Sou um deles (por B.I.). Nem os conheço a todos nem me interessa.

Nalguma destas hei falar de nacionalismos noutro fío. E dos mundos perdidos para sempre, e dos mapas pintados e repintados.




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Re: A FUTILIDADE DO FUNDAMENTALISMO LUSISTA

Mensagem  AGIL em Sex Jun 03, 2011 7:33 am

Um respeitoso com a língua, como o Gascon:
http://pglingua.org/images/stories/fotos/2011/06/010611_lorenzo_entrevista.png

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Re: A FUTILIDADE DO FUNDAMENTALISMO LUSISTA

Mensagem  Gascon em Dom Jun 05, 2011 6:38 am

AGIL:
Um respeitoso com a língua, como o Gascon:
http://pglingua.org/images/stories/fotos/2011/06/010611_lorenzo_entrevista.png

O outro dia o Antón Reixa cometia a infâmia de colocar o Carvalho Calero ao lado do Figueira Valverde, como valores ou exponentes negativos para a língua galega. Agora o senhor Agil mete juntinhos na mesma caixa de “respeitosos com a língua“ o Ramón Lorenzo e mais eu. Eis aonde leva o “síndrome das trincheiras“. Eu, no meu modesto papel de observador / comentarista, venho propondo exatamente o contrário do que o senhor Lorenzo diz nessa entrevista ao Diario de Ferrol. Exatamente o contrário. Mas como eu não subscrevo ao mantra fundamentalista lusista, pode-se me meter na mesma caixa “dos outros“, a dos inimigos. “Ou comigo ou contra mim“. Tudo é tam simples quando se vive sob a luz da verdade lusista!

Porém, esa entrevista com o Ramón Lorenzo, vem mui a conto neste fio. Este senhor, antilusista confeso e espanholista, tem trabalhado muito polo galego-espanhol. Mesmo colaborando ativamente para a consolidação do dialeto galego-espanhol, nom se lhe pode negar o que tampouco se pode negar àqueles que trabalham ou argalham por esse dialeto espanhol chamado “lingua rexional“: o amor polo vernacular galego. E nisso, queiram ou nom, sintonizam em grande armonia com o “pueblo“ galego. Quem nom sintoniza, é claro, são os lusistas. Mesmo que tenham toda a razóm do mundo. Mas, sendo os galegos humanos como são, não se lhes pode deixar de aplicar isso de “hay amores que matan“. Se os galegos levam anos, décadas ou mesmo séculos, embarcados numa dinâmica de suicídio lento e paulatino, nao por isso deixam de ser galegos. Mesmo quando deixarem todos de ser galegos, para pasarem a ser “gallegos“, serão o mesmo povo / pueblo, embora definitivamente metamorfoseado. E galegos-galegos, não haverá, por muito exercício intelectual lusista dum pequeno molho deles.



A espanholidade dos Ramón Lorenzos não é apenas a duma pressada de caciques focados em destruírem ou domar o galego, mas reflicte tb um estado de conciência coleitiva no conjunto dos galegos: são espanhois e pensam como espanhois. Até porque nesse estado percebem uma segurança material e identitária que noutro qualquer não som certos de albiscar. A espanholização dos galegos há já muito que entrou em metástase incontrolada, e abrolha por todas as partes. Não peçam a um empreiteiro galego para ir para Lisboa, em vez de Madrid ou Barcelona. Não peçam a um actor galego para se abrir ao cenário português, e não ao hispanófono. Não peçam a um desportista galego com ambição para sonhar com o Benfica, e não com o Real Madrid. Não peçam aos galegos sem emprego e sem futuro para marchar para o Porto, ou para o Brasil, em vez de Madrid, Barcelona ou Europa.

A espanholidade dos galegos, resultado dum proceso secular de “doma y castración“, os deixa frios, insensíveis aos doces cantos das sireias do mar salgado português. Bom, talvez, com alguma mestria e imaginação (como faz o Fagim), se poderia comezar a desentupir os ouvidos dos marineiros galegos, e se poderá desatar dos mastros os seus capitães ... mas isso não é de interesse para os senhores fundamentalistas lusistas. Para eles o que conta é A VERDADE. E a verdade não pode ser maculada por nenhuma fraqueza humana.



Por isso vou dar eu agora a volta à omeleta, e vou meter na mesma caixa, todos juntinhos, o Antón Reixa, o Figueira Valverde, o Antonio Agil e mais o Ramón Lorenzo. E, para identificar tudo o que vai nessa caixa, vou rotular: OU MORRES COMIGO NO CEU OU MORRES COM ELES NO INFERNO Twisted Evil
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Re: A FUTILIDADE DO FUNDAMENTALISMO LUSISTA

Mensagem  paulo em Dom Jun 05, 2011 1:30 pm

Por minha opinião, ser galego é lingüisticamente uma vantagem enorme se temos em conta que podemos agir com facilidade em duas línguas, as mais faladas da Romania; só duas nações são mais afortunadas do que nós: Canadá e Suíça.

Até uma pessoa idosa e incapacitada para assimilar línguas estrangeiras como eu posso, com esforço mínimo, fazer minhas essas duas línguas.

Desaproveitá-lo é parvo. Fazer normas diversas por um suposto "patriotismo" galego, é, por minha opinião, parvo aínda de mais.

A mim o "gallego" importa-se-me nada, igual que os peliqueiros ou o Festival de Ortigueira ou a rural e bucólica ideia duma Galiza mirando para si. As nações mais abençoadas -para seus moradores- são aquelas respeitosas com sua diversidade, claro está que a Suíça tem na origem a ideia confederal, e todas as línguas são nacionais e respeitadas e divulgadas (três delas aínda bem úteis para o relacionamento com os vizinhos). Do ponto de vista lingüístico eu defendo o português, que aliás teve sua origem na Galiza, embora quase teria preferido ser estremenho e não ter de suportar toda a cárrega enxebrista dos nacionalistas galegos.

No fundo as duas desgraças para o sucesso do Português na nossa terra são essas: Galiza não é Estremadura, e Espanha não é Suíça.
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Re: A FUTILIDADE DO FUNDAMENTALISMO LUSISTA

Mensagem  paulo em Seg Jun 06, 2011 2:06 am

paulo escreveu:Por minha opinião, ser galego é lingüisticamente uma vantagem enorme se temos em conta que podemos agir com facilidade em duas línguas, as mais faladas da Romania; só duas nações são mais afortunadas do que nós: Canadá e Suíça.

Até uma pessoa idosa e incapacitada para assimilar línguas estrangeiras como eu posso, com esforço mínimo, fazer minhas essas duas línguas.

Desaproveitá-lo é parvo. Fazer normas diversas por um suposto "patriotismo" galego, é, por minha opinião, parvo aínda de mais.

A mim o "gallego" importa-se-me nada, igual que os peliqueiros ou o Festival de Ortigueira ou a rural e bucólica ideia duma Galiza mirando para si. As nações mais abençoadas -para seus moradores- são aquelas respeitosas com sua diversidade, claro está que a Suíça tem na origem a ideia confederal, e todas as línguas são nacionais e respeitadas e divulgadas (três delas aínda bem úteis para o relacionamento com os vizinhos). Do ponto de vista lingüístico eu defendo o português, que aliás teve sua origem na Galiza, embora quase teria preferido ser estremenho e não ter de suportar toda a cárrega enxebrista dos nacionalistas galegos.

No fundo as duas desgraças para o sucesso do Português na nossa terra são essas: Galiza não é Estremadura, e Espanha não é Suíça.

Dissera já, antes de banir a mensagem, que a língua castelhana ou espanhola apresenta muitas facilidades aos ouvidos e aos olhos dos falantes das línguas romances; dizía eu que o espanhol é uma língua sobejamente fonetista, quitado o –b/-v, que na altura não representa diferença alguma embora se mantenha em andamento. Isso faz que para qualquer francês, italiano, retorromance, catalão, ocitano ou romanês, línguas nas quais os sistemas de acentuação são muito complexos e os verbos aínda bem mais irregulares, o espanhol abre-se cum sistema de fácil aprendizagem na acentuação: as normas que nos depreendem de crianças (esdrújulas, graves e agudas) assimila-se com facilidade insultante, até. E assim como se escreve é que se faz a leitura.

Dizía eu aínda que só uma língua é máis fonetista do que o castelhano/espanhol: trata-se do aragonês; nesta língua atreveram-se aínda a fazer as cousas mais fáceis (za-ze-zi-zo-zu); pt: “ação”, ar: “aczión”, por exemplo... Não se atreveram com o “k” por ser muito anarkista ou soar batasuno de mais, porém, a decisão, quanto livre, é lícita e respeitável.

O espanhol, que daquela podía, dizia eu, ser considerado o esperanto das línguas romances, dado o escasso sucesso da língua aragonesa, subjaga de imediato, zuga-lhe a plombagem da escrita perdida (histórica e/ou internacional) ao galego verdadeiro, com a conivência dos escritores galegos em nómina de El País-Aguilar ou da RAG.

Um caminho a desfazer. Difícil, pero o único de futuro certo.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
PD: o do “K” é brinquedo; os sons –c e –z devidamente estandarizados, fazem desnecessário aquele.

O aragonês tem a ventura também de banir o –v e redigi-lo tudinho com –b.

E uma decisão desde a independência e a valentía, porque eles não se somerlharom na norma alvo do castelhano. Evil or Very Mad

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Re: A FUTILIDADE DO FUNDAMENTALISMO LUSISTA

Mensagem  Gascon em Seg Jun 06, 2011 2:54 pm

Paulo,

1) O português tem polo menos duas normas, a portuguesa e a brasileira, como o inglês tem a britânica e mais a americana, e até outras a meio caminho (a irlandesa, a australiana, a india, etc). O espanhol, o francês ou o alemão têm também várias normas. Por tanto, vai contra todo o sentido comum o não trabalhar para a criação duma norma galega do português (que até o Malaca Casteleiro diz existir) e sim manter ao contrário, como fam os fundamentalistas lusistas, que há uma só língua, uma só norma, e uma ortografia, deixando de fora inumeros elementos exclusivos galegos.

2) A foneticidade do sistema ortográfico do castelão, sendo até maior que a do português, faz com que os galegos, aculturados à volta dessa ortografia, tenham dificuldade em aceitar as escritas pretensamente galegas (as dos reintegracionistas) divergentes dessa reprodução foneticista espanhola. Por isso, em parte, rejeitam a ortografia portuguesa. Se, para além disso, lhes negamos qualquer exclusividade inerente ao seu vernacular (fraseologia, léxico, gramática), então nunca verão o português como algo próprio, mas alhéio. Mas nisso até os brasileiros reagiriam igual, por exemplo, se se lhes negassem os seus próprios elementos não europeios. E não por usá-los (e cada vez mais) deixam de falar ou escrever o português. Os fundamentalistas lusistas querem porém empregar o mesmo padrão de Lisboa, deixando de fora qualquer exclusividade não portuguesa. Daí o rejeite, e até nojo, que despertam, e não só nos galegos. Se, ainda por riva disso, se menospreza aquilo e aqueles que não concidirem com a sua visão normativa fundamentalista, então já se pode compreender o porque o reintegracionismo continua marginal e sem relevância na sociedade. O ridículo disto é que há mais de um/a que cifra o insucesso / marginação do reintegracionismo no facto de parte dos seus militantes / simpatizantes não aderirem ao 100% a essas prácticas ortográficas fundamentalistas. Se não for porque sabemos que são servidores da sua ideologia, seria para pensar que lhes falta inteligência.


3) O facto de os nacionalistas galegos (ou alguns deles) não saberem / poderem se artelhar em grupo político real com estratégias claras e coerentes, não tira nada da legitimidade da ideologia nacionalista galega. Tu criticas os nacionalistas galegos, mas aceitando (por activa ou por passiva) o nacionalismo espanhol imperante, aquele que não permite ou despreza a variedade cultural e linguística no estado espanhol, não te tornas melhor que eles.


4) Sem utilidade real (na Lusofonia) o galego não tem futuro, verdade. Mas essa utilidade, a) não precissa da unidade normativa total, e b) não serve para nada se não for acompanhada duma carga identitária. E como os galegos não consiguem perceber o português como algo verdadeiramente galego (mercê à espanholização de que venho falando), de nada val a rigidez do fundamentalismo lusista. Como se viu nesses “indignados“ dos jovens das cidades galegas, o castelão é a língua útil e identitária. Tirado tu e qualquer outro amador das línguas, o português é percebido como algo estrangeiro. O inglês será o passo natural seguindo à perdida do galego-galenhol. O "português", a menos que seja DISFARZADO DE "GALEGO", não tem nenhuma hipótese de coalhar nas camadas dos jovens urbanos galegos.



Saúde e reflexão.
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Re: A FUTILIDADE DO FUNDAMENTALISMO LUSISTA

Mensagem  paulo em Ter Jun 07, 2011 10:52 am

Gosto de falar contigo nestas linhas, porque este fórum está um chisquinho apoucado, assim que por vezes ponho um Rambo no avatar e por outras filosofo sobre a Suíça.

Quero que saibas que apreço tuas ideias e que eu próprio nunca tive claras as minhas como para chegar às mãos com ninguém. Na realidade sou um buscador de espaços para a minha liberdade. Estou farto de que me enganem ou me digam o que é bom ou o que é mau --para a classe obreira, para a nação galega, para o desenvolvimento do mundo, para minha saúde--...

Sei o que tu amas: Galiza. Para mim, mais um conceito. Por dizer: sou galego?; pois é. Sou-cho, claaaro!. Por isso ando nestas masturbações foreiras. Ando na busca de conversa e divertimento, dado que o país não tem remédio e eu menos aínda.

Suponho que o amo do foro não gosta de se converter isto num espaço para a terapia. Pois é-che o que há. Comigo ninguém vai ter problema algúm: posso ser galego, espanhol, portugalego, ibérico, judeu, cristão,... o único que não posso ser é celtista (do de Vigo). Por demais posso ser qualquer cousa e até se calhar nem sou porque não quero e remato por esfianhar todas as bandeiras, todos os galhardetes, todos os cachecóis... A net salvou-me a vida?: está por ver. É possível que alguma gente --nem toda, eu falo por mim, por ninguém mais-- busque na net uma razão para não inçar o ventrinho de pílulas da cor do salmão. Tenho-che lei. Esta é uma expressão muito galega, "tenho-che lei". Se não é indiscrecão gostaria saber se falas gascon; lin-che que tens família de lá. Isso sería um "puntaço"...

Por demais só há uma cousa no teu discurso que não entendo: tu fazes uma normativa uni-pessoal, quando já existe uma norma que é a AGAL que eu rejeito aínda que nem desboto de tudo quanto a seu didactismo. Não percebo porquê é que não che vale; já está em vigor e tem três décadas de andamento.

Pelo demais não vamos brigar, meu caro gascon. Com esta língua que temos podemos falar com 220 milhões de pessoas... o mau é que eu tenho-lhes a cada uma delas muito bem poucas cousas a dizer.

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Re: A FUTILIDADE DO FUNDAMENTALISMO LUSISTA

Mensagem  Gascon em Qua Jun 08, 2011 3:42 pm

Paulo, levo vários anos estudando o gascão, e o occitano em geral, incluido o antergo (o dos trobadores). Minha avó, embora tinha o “patois“ como língua nativa, não lha apreendeu aos filhos (meu pai e tios/as), tirado duas ou três cantigas, mas era em francês que lhes falava um algo. Mágoa que tenha morrido há já três décadas, teria sido uma grande experiência o falarmos ela e eu na sua língua. Estive há pouco na Gasconha, e tive a oportunidade de falar um bocadinho, escoitar uns farrapos gascões ou lengadocianos por aqui e acolá, mas o francês do ““Midi“ está bem assente, e o occitano / gascão quase desaparecido por completo. Podes conferir aqui o gascão:

http://www.radio-pais.com/index.php?lang=oc

http://www.musicme.com/Roger-Lapassade/

http://www.youtube.com/watch?v=d3Ib0PJruYA

e aqui um poema em gascão meu (e tb outro em inglês), com a minha voz e tudo (e já agora, gostei muito dos teus poemas no fio de “criações próprias“):
http://quantomaisaolonge.blogspot.com/



No tema da normativa: entre a norma AGAL e a proposta da AGLP não há mais que uma pequeníssima divergência, mas ambas estão demasiado longe da norma e da visão galego-espanhola. A minha proposta normativa, no meu outro blogue, quer facilitar a desespanholização e “lusificação“ (em realidade é re-galeguização) dos utentes do galego-espanhol, que ainda não se identificam com o português, por achá-lo demasiado difícil e alhéio. É uma proposta para os “isolinos“, já que a proposta reintegracionista não conseguiu nem consigue chegar a eles. É uma maneira sinxela de se arredarem da isolopatia, de se tornarem “lusófonos“, sem ter de cair no fundamentalismo lusista ...

Saude!
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Re: A FUTILIDADE DO FUNDAMENTALISMO LUSISTA

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