"galego no Senado espanhol"

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"galego no Senado espanhol"

Mensagem  cdurão em Qua Jan 19, 2011 6:00 am

Ler em:

http://www.pglingua.org/noticias/informante/3210-perez-bouza-o-primeiro-a-utilizar-o-galego-no-senado-espanhol

"A partir de agora, as sessões no Senado espanhol decorrerám nas línguas com estatus de oficialidade ou co-oficialidade no estado espanhol, isto é, o galego, o castelhano, o basco e o catalám. No caso desta última língua, as pressões do nacionalismo espanhol figérom com que haja tradutores para os senadores do Principat (a Catalunha propriamente dita) e as Ilhas Baleares, e outros diferentes para os procedentes do País Valenciano, numha tentativa de xebrar este idioma."

(comentário, pace Pondal: "imbecis e escuros" bis (+bis+bisbis+vis...)

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Re: "galego no Senado espanhol"

Mensagem  cdurão em Qua Jan 19, 2011 7:07 am


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Re: "galego no Senado espanhol"

Mensagem  Isabel em Qua Jan 19, 2011 7:43 am

Pois já vão sendo horas de que na Espanha aconteça algo que não acontece nos outros países, como a Suíça.
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Os «curdos ibéricos» não tem lugar no Senado dos «turcos espanhóis»

Mensagem  mceleiro em Qua Jan 19, 2011 8:29 am

Em 1991 no parlamento turco, a deputada curda Leyla Zana, eleita com o apoio do 84% dos votantes do seu distrito foi a primeira deputada curda da história. Na sua primeira intervenção, fez o juramento oficial em turco, como obriga a lei, entre deputados exaltados berrando «Essas cores!» «Essas cores!» por levar um pequeno diadema com as cores tradicionais curdas que figuram na sua bandeira. Ao juramento acrescentou em língua curda «Faço este juramento pela irmandade do povo turco e o povo curdo!». Isto, o facto de TÃO SÓ OUVIR FALAR CURDO, provocaram uma explosão de ira no resto dos parlamentários, que bramavam «Prendam-na!», «Separatista!», «Terrorista!».



E assim foi, em 1994 Leyla zana ficou sem imunidade parlamentar e foi condenada a 15 anos de prisão no cárcere de Ulucantar (Ankara) pelo simples facto de falar curdo.

A pressão internacional fez ceder ao governo turco, que concedeu a libertação alegando motivos de saúde (Leyla Zana fora cruelmente torturada). Ela negou-se, pondo como condição à sua saída da prisão a libertação de todos os prisioneiros políticos tanto curdos como turcos. Em 2004 (13 anos depois) o Tribunal Europeu de Direitos Humanos de Estrasburgo, forçou a revisão do seu caso, e Leyla Zana, com outros três ex-deputados, ficou em liberdade.

Foi proposta duas vezes para premio Nobel da Paz.

Em 2008 foi condenada novamente a 10 anos de prisão por defender a autonomia do Curdistão turco, anulada graças à campanha internacional dos defensores dos direitos humanos.
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Re: "galego no Senado espanhol"

Mensagem  Nambuangongo em Qui Jan 20, 2011 8:38 am

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Re: "galego no Senado espanhol"

Mensagem  cdurão em Qui Jan 20, 2011 8:44 am

como dizia aqui há anos certo político que não vou nomear (literal): di estráguel of de pípel...

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Re: "galego no Senado espanhol"

Mensagem  Pedro Bravo em Qui Jan 20, 2011 2:54 pm

Em qualquer caso é difícil superar ao José Blanco quando declarou que falava castelhano porque não gosta das imposições.
Lera, acho, em Xornal e Vieiros, mas agora só encontrei esta referência: paz digital
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Re: "galego no Senado espanhol"

Mensagem  cdurão em Sex Jan 21, 2011 2:06 am

Oh dear! Mr White "habla castellano en rebelión ante la imposición del castellano"; I don't quite get it... however: "en España la mayoría de los políticos son incapaces de aprender idiomas": that's better!

and what about here: http://lv.galiciae.com/nova/73650.html:

"Feijóo argumentou que a presenza do galego, o vasco e o catalán no Senado é "un exceso", tanto desde o punto de vista político como do económico, e lamentou que haxa partidos "especialmente expertos en sacar asuntos para tapar problemas como, por exemplo, o paro"": like, for instance, his PP (!) insisting on "translators" from and into Valencian... oh my God! isn't that a waste of money?

"Feijóo non dubidou en recoñecer que en España hai "unha enorme riqueza lingüística" e que é necesario protexer o galego, polo que destacou a súa intención de promocionalo": really?

Mr Bean, darling, it's all part of "di estráguel of de pípel"; so long!

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Re: "galego no Senado espanhol"

Mensagem  cdurão em Seg Jan 24, 2011 11:37 pm

Em: http://www.mundogaliza.com/index.php?option=com_content&view=article&id=10244%3Auma-lingua-para-domina-los-a-todos&catid=109%3Ajose-manuel-barbosa&Itemid=2440

“Uma língua para dominá-los a todos”. José Manuel Barbosa:

"Estamos seguros que estas duas pobres hobbits pervertidas agiram após tortura e deveram sofrer muito. Deveram pensar nas pessoas da sua família, de entre os seus amigos, do seu trabalho...que falaram sempre a língua hobbit e à vez manifestarem publicamente que todas essas pessoas são de condição inferior ao resto da gente da Terra Média renegando da lei Número 14 da lei suprema de toda a Terra Média, desde Góndor, passando por Róhan, Árnor, a Terra dos Élfos e até a própria Mórdor."

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Re: "galego no Senado espanhol"

Mensagem  cdurão em Ter Jan 25, 2011 12:25 am


Tb em http://www.elpais.com/articulo/Galicia/As/senadoras/galego/Espirito/Santo/elpepuespgal/20110121elpgal_27/Tes

diz MANUEL RIVAS ("As senadoras, o galego e o Espírito Santo"):

“E se ese martes plural fixo visíbel o Senado, tamén permitiu saber da existencia de dúas senadoras galegas.
Non porque falasen o galego, senón por negarse a falalo.
Non por exercer os seus dereitos, senón por rexeitalos.
Non por representar o seu país, a súa cultura, senón por representar soamente un oportunismo sectario.”

“O galego debe ser a lingua que máis amores ten, estando como está entre dúas estacións pouco recomendábeis. As que os estudosos das políticas lingüísticas denominan Morte (Language Death) e Perigo (Language Endangerment). O amor coas linguas, dispensando, ou é ou non é.”

(só uma cousinha, companheirinho: esse “do ágora”, que chantas aí no meio e meio, parece-se muito [suspeitosamente] com certo “del ágora”, ou estou errado e foi o abençoado “corretor” espanhol? querias dizer “da ágora”?)

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Re: "galego no Senado espanhol"

Mensagem  cdurão em Ter Jan 25, 2011 6:45 am

(via Alexandre Banhos)

A primeira pessoa que falou no português da Galiza no Senado espanhol

http://seioque.com/index.php/seestampassando/lembrem-este-nome-no-vindouro-dia-da-pat

O comportamento do partido espanhol que desfaz a Galiza e tenta apagar o português dela no Senado

versão a)

http://seioque.com/index.php/seestampassando/a-trave-no-olho

versão b)

http://seioque.com/index.php/seestampassando/maria-jesus-aamp-jose

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Re: "galego no Senado espanhol"

Mensagem  Pedro Bravo em Ter Jan 25, 2011 12:33 pm

Colo um artigo de Roberto Blanco Valdés em LVG cuja análise postarei aguardo que pronto. (É doado reconhecer e correger as gralhas do tradutor automático de LVG. Creio que a divisão em parágrafos é a original. Não colo a ligação).

O OLLO PÚBLICO
A «belgificación» lingüística de España
Venres 21 de xaneiro de 2011

A decisión do Senado de celebrar os seus plenos nas linguas rexionais, ademais de en castelán, mostra, a quen tivesen aínda algunha dúbida, cal é o auténtico proxecto lingüístico que os nacionalismos impulsan en España: monolingüismo nas comunidades autónomas e tradución simultánea no resto. Eses son, con claridade, os dous grandes alicerces dun proxecto que parte dunha ilusión para negar a máis evidente realidade.

A ilusión é que nas rexións españolas onde existen linguas vernáculas estas deben ser ?aínda que de feito non o sexan en ningunha? as únicas de uso cotián e oficial. E iso porque, segundo os nacionalistas, a presenza do castelán resulta en tales territorios unha enfermidade que ha de curarse con esa operación de enxeñería social que o nacionalismo chama, desde fai moito, normalización lingüística.

Tal ilusión ?orixe de flagrantes violacións, non só da Constitución, senón tamén dos dereitos de centos de miles de persoas? conduce a negar unha realidade que pode comprobarse en toda España, de norte a sur e deste a oeste: que, por fortuna, as linguas rexionais conviven en harmonía coa lingua común na que todos podemos entendernos.

E é que España non é Bélxica, onde existen catro rexións lingüísticas illadas (as de lingua holandesa, francesa e alemá e a bilingüe en Bruxelas capital) e onde, por ese motivo, soportan desde a fundación do país en 1830 un gravísimo problema. En España non o temos, pero o proxecto dos nacionalistas ?un puro disparate? é que terminemos téndoo, é dicir, que acabemos sendo Bélxica.

Con todo, tal disparate resultaría tan só algo pintoresco de non ser porque a actual dirección do Partido Socialista decidiu asumilo plenamente, transformando así nun feito o que a exigua porcentaxe de escanos dos grupos nacionalistas nas Cortes convertía en imposible. O xiro radical de Zapatero ?ao que se opón o pouco que queda do antigo PSOE (Guerra ou Bono), co que nos identificabamos os que criticamos agora ao actual? non conseguirá, con todo, que os nacionalistas sentan satisfeitos.

A súa inmediata, e previsible, esixencia de que o decidido para o Senado esténdase xa ao Congreso ?rexeitada polo Partido Popular e polos mesmos socialistas que votaron a favor na outra Cámara?, pon de relevo non só o incrible oportunismo destes últimos, senón que o nacionalismo non parará ata que consiga belgificar España, convertendo en cuatrilingües todas as súas institucións. Algo que hoxe parece tan disparatado como o parecía non fai nada que no noso Senado falasen con tradución simultánea persoas que teñen a inmensa fortuna de posuír unha lingua común na que entenderse.
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Anxo Lorenzo cre "unha irresponsabilidade" o uso do galego no Senado

Mensagem  Nambuangongo em Seg Jan 31, 2011 6:26 am

O Xornal.com publica hoje isto:


Anxo Lorenzo cre "unha irresponsabilidade" o uso do galego no Senado

>> O secretario xeral de Política Lingüística considera "coherente e normal" empregar as linguas cooficiais na Cámara Alta, pero considera que "non é o momento oportuno"

>> Asegura que a paz educativa "é total" nos colexios. "A catástrofe que se prevía co decreto non foi tal", di nunha entrevista no 'ABC'


Anxo Lorenzo considera "unha irresponsabilidade agora" o uso dos 'pinganillos' no Senado para a tradución das linguas cooficiais do Estado. Nunha ampla entrevista no diario ABC, o secretario xeral de Política Lingüística cre "un paso coherente e normal" o emprego do galego, catalán e éuscaro na Cámara ALta pero parécelle "absurdo pensar que a sociedade poida entender que se gaste tal cantidade de cartos nesa iniciativa (350.000 euros)". "Isto había que facelo na época de vacas gordas; non é o momento oportuno", aclara.

Lorenzo asegura tamén na entrevista que a paz educativa "é total" e que "a catástrofe que se agardaba tras a implantación do decreto non foi tal". Ademais, o secretario xeral considera que "o chamamento á insubimisión non tivo ningunha repercusión" e que "o decreto estase aplicando con total normalidade".

Anxo Lorenzo responde tamén ás críticas de Galicia Bilingüe e pídelle á asociación contra a normalización lingüística "que lea o programa electoral do partido que gañou as eleccións". Respecto aos cursos de galego para parlamentarios, o secretario xeral cre que "hai moitos deputados que saben escribir e falar perfectamente o idioma", -"incluso mellor ca min", di-, pero asegura tamén "que o uso e a calidade da lingua que falamos é algo que todos temos que mellorar".

Tamén fala Lorenzo da súa relación coa Real Academia Galega, que considera "cordial e de cooperación", aínda que "con algunhas discrepancias".
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Análise do artigo de RBV em LVG sobre o galego no senado.

Mensagem  Pedro Bravo em Qua Fev 09, 2011 9:32 am

Três cauções e uma observação


1) Referirei-me à Constituição Espanhola de 1978 (CE) não porque acreditemos na sua bondade, mas sim em que não é tão fechada como muitos pretendem. Uma Constituição, em princípio, estabelece condições mínimas, pelo que é manifestamente insuficiente para prever todas as eventualidades sociais e políticas que deve articular; requer, pois, desenvolvimento que pode tomar roteiros muito distintos. Qualquer desenvolvimento que não a contradiga é plenamente constitucional. A mesma indeterminação constitucional exige este critério “laxo”. Pelo que é inaceitável (política e intelectualmente inaceitável) que se pretenda determinar uma leitura da CE como a única possível. Mesmo se poderia afirmar, se tivessem a bem explicitá-los, que os critérios desde os que se faz essa leitura restringida contradizem não só o “espírito”, mas a letra da CE (exemplo: a ocorrência da palavra “nacionalidade”). [Agora escreveria: não sei o "espírito" -pois essa leitura que se pretende passar pela CE se baseia única e exclusivamente na relação de forças, i.e., nos tanques-, mas sim a letra.]

2) Pode parecer excessivo que a análise crítica se aplique, já desde o princípio, a expressões aparentemente inócuas (por exemplo, “decisão do Senado”). Mas só nos dicionários pode haver expressões inocentes. No seu uso, na relação com outros termos, num contexto comunicativo, adquirem indefectivelmente as conotações retóricas pertinentes. (Neste caso quase se pode dizer que a denotação se dissolve numa nuvem de conotações). O conjunto do texto, que por formar parte duma seção fixa inclui os textos anteriores, determina a significação de qualquer termo (esta é uma das faces do “círculo hermenêutico”). No caso de RBV (nisto fiel escriba de LVG, o médio), o determinante fundamental é o pré-conceito anti-racional (anti-político e anti-acadêmico). (Pré-conceito anti-racional não é um pleonasmo). Outro modo em que se manifesta a impostura (complementar do mencionado “pressupostos não manifestos, mas operantes”) são as conclusões não manifestas, mas operantes. Operantes onde? Na mente do leitor habitual e habituado, que assim tem a ilusão de que é ele quem “infere” autonomamente, liberando ao escrevedor da exigência antes de rigor agora de coragem intelectual. Com Bacon, prefiro o erro à imprecisão.

3) Ainda que não é elegante falar de um próprio, a teima do texto em identificar certas reivindicações, que eu considero justas e necessárias, com “os nacionalistas”, dos que eu não me sinto parte, me obriga a indicar quando menos desde onde falo. Falo desde o respeito absoluto à verdade, à liberdade e à justiça. Minha cultura política está moldada especialmente pela tradição filosófica ocidental no seu conjunto com uma orientação radicalmente democrática, republicana, comunista. Diria que eu não sou nacionalista, mas racionalista, e racionalista radical, se isso acrescenta algo o sentido. Para os que, além de rótulos, precisam exemplos concretos: parece-me aberrante o tempo que se dedica nos estabelecimentos educativos galegos à história da literatura galega a respeito do dedicado à história da literatura universal. Que os alunos tenham que conhecer (os títulos de) as obras de Leiras Pulpeiro (com todos meus respeitos) enquanto o ignoram tudo de Homero, Dante, Shakespeare ou Baudelaire é um crime de lesa humanidade. Outro: sou votante do BNG nas eleições ao Parlamento espanhol des que não posso votar ao Partido Co-mu-nis-ta (ou mais em concreto, des que Julio Anguita deixou a Coordenação Geral de Izquierda Unida). Quero uma Galiza independente porque (sic rebus stantibus) é o único que abre a possibilidade duma Galiza de-mo-crá-ti-ca (a democracia na Galiza, não uma “democracia galega”). Certamente existem os povos e as culturas, e com eles a obriga universal de conservar, aprimorar e transmitir seus respectivos legados, riqueza de todos.

sic rebus stantibus: a conjunta de centralismo, nacionalismo espanhol e capitalismo.

4) Em fevereiro de 2007 (não 2008, como pensava e escrevi recentemente noutro fio deste foro ao falar de minha defecção do castelhano) analisara nas aulas o artigo do mesmo autor e na mesma seção titulado “Hablemos com propiedad: lengua propia y libertad”, mas um incidente informático ocasionou pouco depois a perda de todos os arquivos no meu computador, incluindo o documento com a longuíssima análise (redigida em galego-RAG). Um aluno me passou posteriormente o esquema da análise que penso voltar a desenvolver algum dia (também encontrei um disco com os arquivos até o ano 2006). Digo isto porque me referirei a dito artigo para ilustrar (mais exacto: corroborar) alguma das teses ou fixações do autor.

Subo o comentário por partes pela demora e conseguinte cansaço que causa o abundante formatar (negritos, etc.). Com o navegador Chrome a caixa do texto não se mantém fixa. Neste foro não existe a função "guardar" ou "salvar" que sim havia no foro do PGL.


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Análise do artigo de RBV em LVG sobre o galego no senado. Primeiro parágrafo.

Mensagem  Pedro Bravo em Qua Fev 09, 2011 5:21 pm

1.Do motivo ao leitmotiv: Desvelando avessas mas óbvias intenções

A decisión do Senado de celebrar os seus plenos nas linguas rexionais, ademais de en castelán, mostra, a quen tivesen aínda algunha dúbida, cal é o auténtico proxecto lingüístico que os nacionalismos impulsan en España: monolingüismo nas comunidades autónomas e tradución simultánea no resto. Eses son, con claridade, os dous grandes alicerces dun proxecto que parte dunha ilusión para negar a máis evidente realidade.

[b]1) Do motivo ou ocasião:


1. O Senadodecidiu”, supõe-se que após deliberação argumentada, quer dizer, em base a razões às que nem se alude no artigo, e muito depois de que a decisão pudesse ser tomada e, portanto, sua correspondente "implementação" ser (mais) eficiente, permitir aos senadores, representantes dos cidadãos, intervir nas línguas espanholas oficiais.

1.1. Assistiremos à metamorfose dessa “decisão do Senado” em “arbitrariedade duma inutilidade”: com efeito, é tal a tendência do autor ao abuso das definições expressivas, e tão claros os princípios ou pré-conceitos (anti-político e anti-acadêmico, fundamentalmente) desde os que adquirem coerência, que o leitor habitual já está adestrado para responder solicitamente aos estímulos acostumados... Que experiência mais gratificante do que assentir à realidade na parte privilegiada? Além desses princípios que ainda se podem insinuar, está o verdadeiro motor que o conforma tudo: a defensa do privilégio.
1.2. Isso nos seus plenos (não, portanto, em comissões de trabalho, etc., exceto na Comissão sobre as Autonomias), superintende-se... Veremos também o errático recurso ao advérbio “só”.

2. Constitucionalmente falando, a decisão da chamada “Câmara de representação territorial” refere-se às “outras línguas espanholas” [CE art. 3.2] (o quer dizer que pelo menos na altura havia outras duas).

2.1. Em 1978 ainda havia amplas zonas da geografia hispânica em que muitos cidadãos (muitos “espanhóis”) não entendiam corretamente o castelhano. [Obviaremos o facto de que há muitos falantes de castelhano que não entendem, em sentido estrito, a Constituição]
2.2. Nenhuma das "outras línguas espanholas" se confina numa única “região” (o catalã estende-se por quatro ou cinco regiões espanholas; o galego por três ou quatro; o basco por duas).
2.3. Todas elas são internacionais: falam-se em várias nações ou estados (o basco, pelo menos em dois; o catalão, pelo menos em três; o galego...)
2.4. Como imediatamente antes [CE art. 2] se reconheceu a distinção entre “nacionalidades e regiões” não é um “disparate” inferir que um critério para distinguir entre umas e outras é a possessão ou não duma língua “própria” (em rigor, para saber com segurança qual é nacionalidade, pois a falta de língua "própria" não empece essa condição): Se a palavra “nacionalidade” tem de ter alguma efectualidade constitucional tem de ser, ante tudo, na questão da língua: castelhano, galego, basco e catalão são, pois, constitucionalmente falando, línguas nacionais de Espanha.

[A expressão "língua própria" só faz sentido a respeito doutra língua falada no mesmo território; não significa língua "única" (ad intra), nem "exclusiva" (ad extra). Que o galego não seja exclusivo da Galiza não empece seu carácter de língua própria da Galiza a respeito do castelhano].

3.1. "Ademais de en castelán" deixa na sombra que até o momento tudo se fazia obrigatoriamente nessa língua, que, se aplicamos as observações que vimos de fazer, também mereceria do autor a definição de "língua regional" acrescentando o qualificativo de "obrigatória" ou "imposta" ou "hegemónica".
3.2. Além de sugerir que o resultado é a plena igualdade das línguas no Senado, coisa que, como teremos ocasião de esclarecer, não é verdade, também não nos plenos.
3.3. A única diferença qualitativa do castelhano é ter sido a língua oficial até o momento (1978) e estender-se, ao abeiro do poder, como instrumento do poder, pelos outros “reinos” e territórios espanhóis. Mais do que um ponto a favor, o último faz desse status um estigma. Que a ignomínia da absoluta relegação e degradação (da língua própria) se passe por principal aval do privilégio (da língua alhea), é mais um dos sarcasmos constitucionais.

2) Aviso ao tíbios (ou cúmplices)? Condena dos "convictos"? Arenga aos convencidos

1. É difícil que haja "ainda" qualquer dúvida ao respeito após anos requencendo a mesma homilia...
2. Sobretudo quando os próprios “nacionalismos” levam decênios proclamando-publicamente suas pretensões.
3. Sim poderia possibilitá-la o facto de que o fizeram nas condições mediáticas realmente existentes, caracterizadas pela precariedade, a parcialidade e as informações de "segunda mão".
4. O que sim pode levantar dúvida é que essas reivindicações sejam exclusivas dos “nacionalistas”. Eu não sou “nacionalista” e compartilho esses objetivos (se bem penso que minhas razões são mais abrangentes). Mas também ambos partidos "nacionais", antes o PP como agora o PSOE (este também em pretérito mais-que-perfeito), pretenderam legislar no mesmo sentido [...]
5. O destinatário do artigo é "quem tenha ainda alguma dúvida”. Se o assunto, que não causa mal nenhum, está tão claro (com efeito, o articulista leva anos endireitando os distorcimentos dos “nacionalistas”), e o autor insiste sobre isso, quer dizer que tem um nobre afã salvador ou condenador... pois essa dúvida pode ser mostra de desafeição insensata e não mera curteza de miras.
6. Na realidade esse referente duvidoso é o alvo a quem têm de dirigir-se os autênticos destinatários, aqueles que não podem permitir-se a mais mínima dúvida porque temem/sabem que seria o cabo tirando do qual se destecesse o imperial vestido.

3) Ao leitmotiv: Descobrindo o maquiavélico plano

0.1. Também aqui assistiremos à metamorfose de “projeto linguístico” em arbitrariedade-que-violenta-a-natureza-das- coisas. "Projeto" indica consciência e ação transformadoras; a “língua” na que estamos instalados se identifica espontaneamente (o que não obsta para que também se induza) com a realidade; o contacto com outras línguas faz diluir-se essa ilusão. Essa é uma das fontes (melhor torneiras) do ressentimento espanhol.
0.2. Pode ser “projeto puramente lingüísticoou aspecto dum projeto mais abrangente de caráter político.
- O primeiro, a consideração da/s língua/s como meros recursos, também é, certamente, projeto político, mas se não há oposição, se há consenso nos outros pressupostos do projeto, se pode considerar (quando menos ad intra) meramente técnico (e que incluiria os de caráter “culturalista”): convém implementar (geralmente nos outros...) o conhecimento de certas línguas (nacionais ou estrangeiras) para conseguir determinados fins (aprimorar o capital social, etc.).
- Mas ao especificar depois “que os nacionalismos impulsam”, como a anterior qualificação de "autêntico", está claro que se reconhece, mas estigmatizando, o caráter político, radicalmente político, do projeto.
0.3. “Impulsado”, na senda dos anteriores "decisão" e "projeto", mostra, a quem tiver qualquer dúvida, a querença por denunciar o aspecto subjetivo (ativo) da realidade social.
0.4. Até sete vezes aparece no breve artigo a palavra nacionalista e derivados, sempre com valor retórico...
- Nesta primeira ocorrência, o plural ajuda a inferir como corolário o conflito inevitável, entre outros adjetivos que após decênios de reiterada repetição, constituiu associações não menos inevitáveis nas mentes, quando não constitui estas mesmas como um sistema de reflexos condicionados. Nacionalismos periféricos, nacionalismos insolidários, excludentes, incompreensíveis, bárbaros. De tal modo que semelha que o único vínculo com a “nação espanhola” seja a violência e/ou a chantagem.
- Desta vez esqueceu especificar dos “nacionalismos regionais”, talvez porque deveria acrescentar: “ademais de sistematicamente obstruído pelo nacionalismo espanhol”.
- É claro que dentro dos nacionalismos há diferentes projetos políticos, e, portanto, diferentes projetos lingüísticos. A convergência faz-se desde projetos distintos. A concordância, em qualquer caso, quer dizer que se trata dum assunto elementar. Mas que os "nacionalismos" declarados, no canto de levar ao conflito, se entendam entre eles, justifica que às vezes se refira a eles em plural, outras em singular, e permita que aquilo inominado ao que se enfrentam possa se passar por "não nacionalismo" (pelo menos ad intra...), quando, na realidade, é isso o que realmente merece o nome de "nacionalismo" e os qualificativos habituais: expansivo, intolerante, excludente, exterminador...
- Aliás, é claro que há pessoas (poucas ou muitas) não nacionalistas que assumem (na realidade, subsumem) os supostos partilhados por todos estes nacionalismos "periféricos".
0.5. Pelo que depois dirá, não só em Espanha.
- Como nas instituições europeias se passa algo mais que semelhante, teremos de inferir que os Estados membros da Comunidade Europeia se conduzem exatamente igual que os "nacionalistas" "em Espanha".
- Mas se os nacionalistas ainda andam com essas lérias de "projetos" "em Espanha" será porque "em Espanha" há qualquer obstáculo a que esses projetos deixem de ser projetos e se tornem realidade admitida, reconhecida e celebrada, não meramente tolerada.

1. O “projeto linguístico” dos nacionalistas, tal como eu o entendo, pretende que as línguas "próprias" tenham, no Estado espanhol, as mesmas prerrogativas do que o castelhano. Acho que a reivindicação básica dos “nacionalistas” é esta, que todas as línguas nacionais possam se desenvolver plenamente e com normalidade. Ou, em constituiçonês, que as línguas espanholas sejam, efetivamente, línguas espanholas, línguas reconhecidas plenamente pela “nação espanhola” ou "o soberano". Pois se a “nação espanhola” é ontologicamente prévia à Constituição que institui a oficialidade estatal do castelhano, e não pode ser pura vontade indeterminada (pois é distinta da vontade que informa a Constituição francesa), então as comunidades históricas (CE), e portanto as comunidades linguísticas, formam parte de sua substância. Não há ficção jurídica que possa supor uma "nação" sem língua (um homem sem linguagem). O "Estado" tem uma língua; as diversas "nacionalidades" têm cadansua língua; a "nação espanhola" tem, quando menos, quatro línguas (atualmente são cinco as línguas reconhecidas pelas instituições "espanholas", as quatro já mencionadas mais o aranês, dialeto do provençal).

2. Mas o “autêntico” projeto tem que sonar mais rotundo e contundente, e sibilino:

2.0. Dando a entender, antes de mais, que os “nacionalistas” têm uma agenda oculta... Recriando-se na cultura pré-política da imensa maioria dos leitores de LVG, alimenta a cultura da desconfiança e a suspeita ante o discurso e a razão públicos.
Mais “o olho público” percebe na distância, já que não nos corações, os objetivos do projeto (que o tradutor automático chama de “alicerces”):

2.1. monolinguismo” nas C.A.:
- o brilho da conotação pejorativa que tem o termo “monolinguísmo” deixa na sombra que o autêntico monolinguismo, o monolinguismo realmente existente, é o dos falantes de castelhano. De "pertinaz" monolinguísmo, poderia ser chamado.
- Tal e como estão as coisas, isso sim que é uma “ilusão”. Dito doutra maneira: o (eventual) “monolinguísmo nacionalista futuro” nunca será tão monolíngue como o é o atual monolinguísmo da meseta.

2.2. “E tradução simultânea no resto”:
- Para que tenha sentido o que segue haverá que especificar que o autor se referia (queria referir-se) às comunidades autônomas com língua própria... Doutro modo “o resto” teria de referir-se às instituições do Estado de âmbito superior às CC.AA. (interpretação que, aliás, é a única verdadeira).
- Mais lido tão rápida e automaticamente como aparentemente foi escrito, o projeto semelha supor um agravo comparativo: a lei do funil. Escondem seu pote enquanto remexem com a colher no nosso prato... Se não semelha supor, é óbvio que o quer dar a entender.
- Mas, que eu saiba, nenhum nacionalista pretendeu que nas instituições das CC.AA. "regionais" se "implementasse" a "tradução simultânea" (o que deveria, se quiser ser fiel à intenção da CE, naquelas que também desfrutam, nalgumas das suas comarcas, doutras línguas além do castelhano: Leão, Aragão, Navarra, etc. Poderia também exigir-se a "tradução automática" catalão-aranês no Parlament, mas suspeito que não é necessário, ou pelo menos tanto como semelha sê-lo o português na Galiza. Se as rádios e televisões espanholas não aplicassem a tradução automática as intervenções em catalão ou galego podemos supor que não seria necessária para muitos mais senadores no Senado).
- De certo, ser “o resto” não deve de ser muito cómodo; mais ainda quando se tem o costume de ser considerado o cerne... Mas a isso estão abocados se se empenham em que "Espanha" seja o todo e falar de "nacionalidades e regiões".
- E ter “tradução automática” semelha comida requentada: desvela uma carência, uma servidão. Viver de segunda mão. Como o artigo que estou a analisar.
- Com efeito, a tradução simultânea é uma necessidade pela carência dos senadores. Ao por de manifesto a carência destes (pois são eles os que não compreendem, não os outros os incompreensíveis) alguns preferem tornar eiva o que é virtude, e virtude o que é eiva, e no canto de constatar sua própria carência, que são eles os que não entendem, atribuir a carência aos outros, que não se fazem compreender; enquanto sua ignorância é sinal de sobriedade e sentido comum, quando não de "amor à terra"...
- Este é o verdadeiro rendimento da lei do funil: atribuí-la a quem por ter algo que tu não tens faz que te decates de que não tens tudo, que te falta algo, que o mundo, mesmo o que tens diante dos focinhos, vai além dos teus focinhos.

3. A proposta alternativa, mais achegada à realidade, consiste em, ante tudo, monolingüísmo castelhano (todos os recursos para o castelhano; tudo se passa, como deve, pelo castelhano) que torna qualquer concessão as outras línguas em constitucional sarcasmo. Para sentir-te plenamente integrado tens de passar pelo castelhano. Seria, pois, monolingüísmo do nosso para todos. “Pessoas” tão arrogantes como ignorantes são as que se consideram "normais" aqui.

4) Estabelecido o marco, antecipa a inanidade do quadro:

0. Recapitula, insistindo na “clareza” com que devemos olhar o assunto, e chama de “alicerces” o que seriam alvos, e adianta a condenação de sua origem, a ilusão, e a concomitante (mais que derivada) negação da realidade, que, em boa lógica, seriam os autênticos alicerces do projeto. "Ilusão" é o destino inexorável da subjetividade (projeto) que não se atém à realidade (os factos).
1. Qualificar ao projeto de "ilusão" tematiza o aspecto desiderativo, que sufoca a capacidade cognoscitiva (negação da realidade: a ignorância voluntária) e conduz, conduzirá, a ação com as consabidas consequências deletérias (violentas).
2. O advérbio ("mais") faz suspeitar que "evidente" tem o mesmo sentido que no idioleto do senhor Acebes, se não é cínica referência à mais poderosa das "razões".
3. Ainda que ainda não tematiza o esse de que esse operari sequitur veremos que tudo isso será fruto de sua infantil natureza: o "desejo insaciável" (de "diferença").
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Observação

Mensagem  Pedro Bravo em Qua Fev 23, 2011 11:20 am

Antes de seguir com a análise do artigo, intercalamos um breve comentário geral para advertir que, por mor do princípio da melhor leitura, nos vemos obrigados a partir dos termos do autor; pois não aceitamos o modo em que estabelece o "ideal linguístico nacionalista". O que ele chama de "ilusão" só faz sentido desde o modo em que ele concebe "a realidade". Ainda assim intentaremos fazer ver que em absoluto se trata. como ele desejaria, dum "homem de palha".

0. O autor não se centra no assunto. Em princípio parece querer ir para lá, para "contextualizar" o problema e assim explicá-lo melhor. Mas todo parece indicar que isso não é mais do que um subterfúgio para não tratar a questão. (1) Aglutina a parte contrária sob o rótulo nacionalista; (2) adjudica a essa parte contrária uma “ilusão” (não um desejo, mas um desejo mascarado, e impossível); (3) assim substitui a discussão da medida concreta pelo espantalho dum suposto máximo (que para ir a Madrid se possa –ou mesmo haja que- passar por Valhadolide não quer dizer que os que vão a Valhadolide tenham que ir a Madrid, como parece querer desvelar o senhor); (4) vemos que se ele pretende rejeitar a medida pelos objetivos máximos dos nacionalistas, qualquer um pode pensar que o senhor rejeita qualquer modesta medida que ponha em questão o seu desejo monolíngüe castelhano; (5) esse máximo é falaz, porque a ilusão de muitos nacionalistas vai muito para lá: é uma "ilusão" política de plena autodeterminação (e seguro que neste cenário os nacionalistas, assegurada sua independência e, portanto, sendo responsáveis de sua língua, tomariam as medidas oportunas para que TODOS os cidadãos conhecessem, e conhecessem bem, ou o melhor possível, a língua castelhana); (6) então, o máximo linguístico é falaz porque se determina em base à dependência do poder central, votado por uma população que transborda preconceitos ridículos (além de anticonstitucionais) contra as outras línguas da península (só há que ver a assimetria castelhano-português); (7) Por isso, não apresenta como "ilusão" o que deveria ser: a plena co-oficialidade estatal das quatro línguas; (8] Se essa “ilusão” se realizar, e tudo o demais restasse igual (pensemos na Galiza), não se poderia falar de sucesso nacionalista. (9) O que semelha uma ilusão é que o galego sobreviva dignamente (com licença da contradictio in terminis) nas condições constitucionais realmente existentes. (10) Se, em definitiva, chama de "ilusão" ao projecto da plena igualdade é porque o senhor se considera em possessão do conhecimento da "realidade", e isto porque o senhor pensa que ele está com os que determinam o que é "realidade". Isto sim que merece o qualificativo de "ilusão". (11) Esta "ilusão" negativa, cínica, que se recria na suposta (e querida) impotência da razão (da que a verdade, a liberdade e a justiça não são mais do que manifestações), que corrói os espíritos de raiz, e com isso toda possibilidade de melhora para todos, mereceria um nome mais sintético e abrangente que "miséria intelectual e moral".

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Análise do artigo de RBV em LVG sobre o galego no senado. Segundo parágrafo.

Mensagem  Pedro Bravo em Qua Fev 23, 2011 4:06 pm

2. Desvelando as sem-razões das avessas intenções


A ilusión (A) é que nas rexións españolas onde existen linguas vernáculas estas deben ser ?aínda que de feito non o sexan en ningunha? as únicas de uso cotián e oficial. (B) E iso porque, segundo os nacionalistas, a presenza do castelán resulta en tales territorios unha enfermidade que ha de curarse con esa operación de enxeñería social que o nacionalismo chama, desde fai moito, normalización lingüística.

Sobre a ilusão
0. O único que temos claro do uso da palavra “ilusão” é seu caráter pejorativo. E que indica que ilusão há. Mas qual é a ilusão real, não é tão claro. Melhor dizendo: categorizar algo como ilusão sem explicitar suficientemente as razões ou dum jeito tão confuso como insistente (como se a reiteração das palavras acrescentasse a probabilidade do facto) costuma ser índice de que se passa justo o contrário do que se quer dar a "entender" (paradoxalmente, a reiteração duma escuridão pode ser suficientemente iluminadora...). Isso se passa porque a pretensão apofántica (e também a retórica) das nossas palavras pode resultar insatisfeita, enquanto SEMPRE falam de quem as enuncia.

Se aplicarmos, e fazemo-lo com gosto, entre outras coisas porque também assim estabelecemos distância com o afã reducionista e simplificador do autor (é natural que esta caricatura de catedrático goste de caricaturar tudo aquilo que toca (cf. DESCARTES, As Paixões da Alma, III, 179: por que os mais imperfeitos costumam ser os mais zombeteiros), o princípio hermenêutico da melhor interpretação (Dubia in meliorem partem interpretari debent), melhor no sentido de mais rica e coerente, comprovamos que o autor despreza como ilusão todo um projeto secular (que se manifesta em contextos muito distintos) de dignidade coletiva (com licença pelo pleonasmo). Mas, nos atenhamos já a leitura mais abrangente já a torpe expressão do articulista, o único claro é o animus injuriandi. E nao cabe dúvida que o cheiro é uma boa pista para averiguar onde está a verdadeira ilusão.

Lembremos que ilusão não é simples erro, pois o erro depende da lógica e não supõe uma ruptura com a realidade (pelo qual pode ser retificado), enquanto a ilusão obedece a uma necessidade de ordem afetiva, realiza (como o sonho) um desejo inconsciente e permanece indiferente à realidade (pelo que nunca pode ser desmentida). «Podemos ... chamar uma crença de ilusão quando uma realização de desejo constitui fator proeminente em sua motivação e, assim procedendo, desprezamos suas relações com a realidade, tal como a própria ilusão não dá valor à verificação». (FREUD, O Futuro de uma Ilusão, p.23. Alguém poderia afirmar que o autor poderia ser mais miserável, em falando de mera-ideologia-mascaradora-de-interesses-econômicos-dumas-elites- privilegiadas [*]. Não nego que esta leitura reiteradamente divulgada informe certas observações cruciais do artigo (cruciais apesar da, ou precisamente por, sua aparência incidental). Mas chamar de ilusão supõe maior assimetria, maior desqualificação da parte contrária, ao ser reduzida à condição irracional (infantil ou primitiva). "Interesses" podem pressupor-se em toda posição, mas uns podem corresponder, se não a todos -pois a declaração de sua universalidade está em causa e seria imediatamente suspecta de ideológica-, sim "ao maior número"... Melhor dizendo [rectifico sobre a marcha, pois também pode haver "delírios coletivos"]: o "interesse" aparenta uma maior "seriedade" ou "objetividade" do que o "desejo". England has no friends, no enemies, but only interests...

[*] Cf. "El verdadero bilingüismo que necesitan los españoles", editorial de "El Mundo" de 30-4-06. Talvez suba a análise deste artigo, comentando sua circunstáncia, por ser tanto ou mais relevante. De momento, graças ao pesquisador encontrei, entre outras, esta localização do texto (com uma análise que desconhecia).

Uma ilusão pode ser "verdadeira": um jovem de agora pode ter a ilusão de que vai encontrar um trabalho digno na Galiza. Essa ilusão pode realizar-se, mas não por isso deixa de ser ilusão.

0.1. Na linguagem infantilizada do articulista, “ilusão”, em quanto parece referir-se , ou em primeiro lugar, ao primeiro aspecto que apresenta o articulista, o objetivo desejável, parece ter o sentido que adquiriu em castelhano (“esperança cujo cumprimento parece especialmente atrativo” –cf. “a ilusão de cada dia”- acrescentando sua “carência de fundamento na realidade”). Mas o verbo, “devem”, incorpora uma exigência que em boa lógica desborda a formulação da mera ilusão; esta tem de referir-se à possibilidade que pressupõe todo “dever”: é uma ilusão a mera possibilidade. Refere-se, pois, ao mero desejo a partir do qual se elaboram todos os demais elementos do discurso nacionalista.

0.2. Para manter a ilusão da mera possibilidade do desejado, os nacionalistas fariam dele uma exigência, uma obrigação moral (“devem”: o que é possível deve ser), que para os “obrigados” a mudar –como, aliás, para nossa sociedade permissiva, hedonista- é uma imposição arbitrária, para o qual (para possibilitar o passo do “pode” ao “deve”), a negação da realidade que supõe o desejo precisa uma ulterior racionalização.

A racionalização é o processo pelo qual se recorre a explicações conscientes, subjetivamente “razoáveis”, para justificar certas ações ou atitudes atrás das que se ocultam inconscientemente motivações inaceitáveis. A racionalização supõe a exclusão de certos fatores causais (gratificação interna; pressão externa) que são conscientemente rejeitados como irrelevantes ou inapropriados.

0.3. Como, para fazer aceitável a ilusão, a racionalização nacionalista conduz efetivamente –ainda que segundo a estilizada apresentação do articulista só a meias- à sistematização dessas explicações, poderíamos falar de delírio nacionalista.

O que justifica moralmente esse passo do “pode” ao “deve” é que a realidade, ou certos aspectos dela, se vêm como negativos, como maus: o diagnóstico (“porque”).

Como a mera possibilidade do objetivo é uma ilusão, também o será o meio pelo qual se pretende conseguir esse fim: a terapia (“curar-se com”).

0.4. Dizíamos “a meias” porque se desqualifica o projeto lingüístico nacionalista no seu conjunto (cf. o constante estereótipo dos “nacionalistas”) mas previamente desnatado ou desmochado: mais uma vez, evita não só a mera menção das razões da parte contrária, senão a mera referência a elas, escamoteando os fenômenos ou dados que justificam o caráter negativo da situação, suas causas e sua deriva. O apelo ad hominem é suficiente, ainda que haja que o reiterar permanentemente. Temos, pois, que falta qualquer referência a:

- os sintomas nos que se baseia o diagnóstico;
- as causas (etiologia) dessa “enfermidade” (note-se que o "porque" não é explicativo, limita-se a enunciar a óbvia relação entre enfermidade reconhecida e procura de curação. O discurso nacionalista fica reduzido ao enunciado duma tautologia pragmática: há uma enfermidade, portanto devemos curá-la, ou procuremos a saúde porque estamos enfermos);
- o prognóstico sobre a evolução dessa “enfermidade” (Diversos estudos mistificadores foram propostos a este respeito).
- a norma, o que se considera bom (a saúde, nesta metafórica). Sem normalidade não há patologia (Este ponto conduz necessariamente para além do meramente "linguístico").

A. A formulação do wishful thinking (a "ilusão" em sentido restringido)

1. “nas regiões espanholas onde existem línguas vernáculas".

1.0. De novo a simplificação da realidade, a abstração da dimensão histórica.
1.1. Como lembramos, a CE fala de “nacionalidades e regiões” (não “regiões e nacionalidades”). Isto só pode interpretar-se, ou como uma divisão dicotômica (salvando as “cidades autônomas”), ou como dois níveis de divisão, primeiro em nacionalidades, e estas em regiões. Como é óbvio que as regiões administrativas (fruto de decisões político-administrativas pontuais) não coincidem com as nacionalidades (fruto da história), a menção das nacionalidades implica um reconhecimento que permite recorrer a ela para legitimar pretensões que derivam de seu mero conceito. E não cabe dúvida de que é racional que uma realidade queira existir se vê que isso é bom.
A única atribuição correta (dentro do Estado espanhol) seria: primeiro as nacionalidades (por exemplo, Catalã), depois as regiões: Catalunha (parcialmente, pois dentro dessa região existe a nacionalidade provençal), Baleares, Levante, Aragão, (Múrcia). As comunidades linguísticas, como as nacionalidades, sao prévias às (atuais divisoes em/das) regioes.
1.2. “... onde existem línguas vernáculasdiferentes do castelhano, haverá que complementar. Pois o castelhano também é língua vernácula (por exemplo, a respeito do Instituto Europeu de Patentes).
1.3. “Vernáculo”, além de significar “próprio do país”, remete a submetido e inferior, pelo que “vernáculo” é um termo relativo: são (consideradas) “vernáculas” porque há uma outra língua dominante.
1.4. As línguas são, portanto, uma coisa que “existe”, com a que nos encontramos. Como as florestas ou as casas. Bom, florestas e casas fazem algo mais do que "existir". Como se para essas comunidades fosse indiferente esse "existir".
1.5. Se acrescentarmos “ainda” podemos pensar que houve outras desaparecidas e/ou que as existentes estão condenadas pela história ao apagamento; se acrescentamos “” não teríamos nada a entender. Mas não haveria que rejeitá-lo: o delírio pode levar a acreditar na realidade recente dos “idiomas autonômicos”.

2. (Devem) ser as únicas de uso cotidiano e oficial.

2.1. Obviando que o projeto nacionalista se não limita à questão lingüística, melhor dizendo, obviando que a questão lingüística não se pode abstrair da questão política (aceitamos a abstração política por razões de espaço, ainda que isso nos obrigue a aceitar a simplista formulação do problema desde a perspectiva dos suprematistas espanhóis, que partem da força feita natureza [por isto intercalamos a anterior observação]), diríamos que a "ilusão" nacionalista, em sentido estrito, não é que devam sê-lo, senão que o sejam: é possível que as línguas nacionais gozem das prebendas legais que tem o castelhano e que ainda assim não sejam utilizadas; é possível que sejam utilizadas apesar de que não gozem das prebendas do castelhano. Ou, ainda com mais acribia, que possam sê-lo: que se dêem as condições que façam possível o uso normal de todas as línguas.
2.1. Bom, espero que “uso cotidiano” abranja “uso econômico, comercial, financeiro, mediático...” e “uso oficial” “uso político, judicial, policial, académico...”. (Semelha que a improcedência do emprego das línguas autonómicas nas forças armadas chega a tal grau que se estende, ou deve estender-se, segundo periódica solicitude, às crianças dos militares "deslocados" nas comunidades com língua própria...).
2.2. "Únicas" quer dizer as usuais, as normais. Não creio que os nacionalistas queiram (porque não se pode querer o impossível) que de um dia para outro a gente deixe de falar castelhano. Em qualquer caso, o castelhano é a única língua que goza das condições necessárias para seu uso normal. O que é o mesmo: que o castelhano possa ser de uso normal implica que tenha de ser a única.
2.3. Querem que se reconheça a plena igualdade das línguas para que seja possível viver plenamente (por exemplo) em galego na Galiza. E todos sabemos que fazer possível viver plenamente em galego na Galiza (quer dizer, com exatamente os mesmos direitos dos que falam castelhano) implicaria um esforço humano, e um conhecimento, a cujos frutos não estariam dispostos a renunciar aqueles que o levaram a cabo. Por isso se procura dar rédea larga ao capricho disfarçado de "liberdade de escolha" (o resultado é a banalização do saber e da liberdade, pomada com que se mascara a podridão dos caracteres...).

3. ?aínda que de feito non o sexan en ningunha?

3.1. "Devem", não "ainda que", mas porque não o são em nenhuma (o “ainda”, que aqui não acrescenta nem precisa nada, ao estar pressuposto no "devem", podemos colocá-lo cima, onde sim cumpre essas funções: “onde ainda existem”, quer dizer, subsistem...)
3.2. “De fato”: de fato, e de iure e a fortiori... Os santos fatos: o que melhor que apanhar as línguas ao peso? (A Estatística trata às “pessoas” ao peso) ... Os fatos são feitos, além de interpretados. Após a denúncia do caráter subjetivo (projeto, impulsam, processo, etc.) da posição contrária, não pode crer-se que se faça o esquecidiço a respeito das decisões que condicionaram esses "fatos", e os interesses desde que são contemplados: tem o poder de "declarar a realidade" porque aceita e se serve de vantagens para decidir e interpretar esses factos. (Um exemplo, não por trivial menos relevante: "Em Espanha se tem de falar espanhol". São fixações como estas as que conformam as mentes dos "espanhóis".)
3.3. Que (já) não o sejam em nenhuma tem fácil explicação: em todas utilizou “a língua não vernácula” o mesmo recurso com os mesmos modos para implantar-se. A substituição e relegação das outras línguas. Não é próprio dum trilero apresentar como defesa umas consequências cujas causas são denunciadas pelos outros como deletérias?
3.4. Precisamente, na CAG o galego está em condição de manifesta inferioridade e subalternidade. Justamente como as árvores autóctones. Por muito estendidos que estejam os eucaliptais não por isso têm maior carta de natureza.

B. A racionalização do desejo: teoria sobre o facto
1. “Porque”: como adiantamos, a “explicação” vai ficar trunca. Apenas se refere ao “diagnóstico” (enfermidade), e logo à terapia, não propriamente à etiologia, as causas que explicam esse facto, nem aos sintomas ou fenômenos que o determinam. Nem por um momento ousa formular a questão da deriva futura dessas línguas (o prognóstico). Posteriormente veremos que o autor semelha viver num (feliz) “presente perpétuo” (a isso leva a negação da política e da história).

2. “Segundo os nacionalistas”: Mais uma vez, o que indica qual é o cerne do assunto, explicita o alvo da filípica.

2.1. Todos os aspectos do projeto são desautorizados com uma falácia ad hominem. Que a realidade seja realmente patológica, que se possam especificar as condutas que justificam esse diagnóstico, que haja uma teoria universal que dê conta dessa realidade, etc., etc., tudo isso é obviado pois o único relevante é quem apresenta "esse" diagnóstico, a parte "interessada" cuja reiteração constrasta com a inominada parte contrária: a concorrida grei do sentido comum, da que RBV é mais cadelo que pastor.
2.2. Segundo os nacionalistas expõem pública e alargadamente, poder-se-ia acrescentar. Mas, cuidadoso da nossa saúde, poupa tamanha palavraria, até a reduzir ao que ele e sua paróquia podem entender...
2.3. E não só os nacionalistas. Veja-se, por exemplo, a introdução ou motivação da Lei de Normalização Lingüística.

3. "A presença do castelhano".

3.1. "Presença"? Na realidade, a supremacia esmagante, quando não pura exclusividade, em todas as ordens da vida social: jurídica, econômica, mediática, etc.
3.2. Supremacia adquirida historicamente em virtude da dominação e o privilégio (asovalhamento e aldragem, eram os lemas dos "pancarteros" dos 70) que conduz, inexoravelmente, à extinção das línguas do lugar.
3.3. Ou, na tónica do que diz a seguir, ambos processos, "presência" e extinção, nem sequer chegam a fenômenos concomitantes: ao sumo, uma correlação estatística, segundo o profundo, ou será elevado?, estudo do televisivo físico.

4. “Resulta em tales territórios”.

4.1. “Resulta”? "Como dize Aristótiles", katá symbebekós, por coincidência. Bonita forma de tornar uma argumentação na mera constatação dum mero acidente. Que “resultón” o modo de distorcer o discurso “nacionalista”. Desvirtuado "resultar" na linha do desvirtuado "porque" anterior (mas tudo aqui está desvirtuado: "presença", "existem", "territórios", etc., etc.). Esse "resulta" não ousa afirmar nem a identidade às claras ("a presença do castelhano é uma enfermidade") nem a relação causal ("a presença do castelhano é resultado duma `enfermidade´" ou "a presença do castelhano tem como resultado uma `enfermidade´").
4.2. Pois numa argumentação não se pode inverter a ordem dos fatores: a enfermidade mortal não é apenas resultado da presença hegemónica (mas este termo começa a ser brando de mais) do castelhano, mas também ao invés: essa defecção da própria cultura (de "emigração da alma" falava um conhecido escritor) é resultado ou manifestação da “enfermidade”. Primeiro é a dominação (condições linguísticas, e políticas, e ideológicas, e económicas adversas), depois é a defecção do galego, impossível se não houver uma alternativa com tudo no seu favor (ninguém -quase ninguém- passa do galego ao silêncio...). A consequência, por sua vez, retroage sobre as causas, reforçando-as. Se se quer falar de "enfermedad" diríamos que a "presença" do castelhano na Galiza é causa e efeito duma enfermidade, um de cujos sintomas é a defecção do galego. Enfermidade (em sentido recto, ou na sua primeira acepção) é um processo biológico que afecta negativamente à integridade ou ao bom funcionamento do órgão ou organismo no que se desenvolve. Já a mera qualidade do galego realmente existente é claro sintoma de que algo não pode ir bem.
4.3. Melhor não especificar quais são "tais territórios" pois se calhar a relação resultaria curta... Qual o território, por exemplo, enfermo de galego?
4.4. "Território" significa aqui “zonas” (palavra querida) ou, mais seriamente, “solares”. O nome do nosso seria "Quadrante Noroeste".

5. "Uma enfermidade que há de curar-se":

5.0. A metáfora médica ou biológica (“enfermidade”, “cura”) é própria da concepção organicista (tradicionalmente conservadora) da sociedade. Não é que a recuse em quanto tal (assim, recorremos à mesma metáfora quando falamos de “corrupção”), mas é mais radical, mais racional, mais republicana a linguagem política: trata-se da conseqüência, feita causa ou condição, da dominação histórica injusta (injusta desde a razão comum).
5.1. Com "enfermidade" elude o autêntico "mantra" do “nacionalismo”, ao que tanto faz referência: “dominação centralista e (concomitante) imposição do castelhano”. Os aspectos críticos (histórico, políticos) do discurso nacionalista são reduzidos a um naturalismo infantil.
5.2. Toda enfermidade tem uns sintomas, umas causas, um processo de desenvolvimento (da incubação à convalescência): a desenvolver tudo isso chegou o delírio paranóico nacionalista... Mais do que "mantra", um autêntico "mandala"...
5.3. Por desgraça, e pela natureza das coisas, a emigração da língua não é uma enfermidade, mas um sintoma, mais uma doa de dor dum longo rosário. Olhemos aonde queira que olhemos na Galiza (de norte a sul, de leste a oeste), o que segundo ele os nacionalistas chamam de enfermidade lingüística é concomitante à decomposição construtora (espontânea e natural como a escolha dessas pessoas), que vemos em todo momento em cada recanto do nosso país.
5.4. Ninguém gosta de admitir que está (muito menos que é um) enfermo (ignorante, submisso, alienado). A "enfermidade" vê-se como fragilidade, dependência, como ante-sala da morte. A experiência subjetiva, individual, de "saúde" que qualquer um gosta de sentir em si próprio se projeta sobre o conjunto, quando na realidade seria a experiência objetiva do conjunto o que deveria conduzir a por em dúvida esse sentimento de normalidade "pessoal". Pois a indiferença auto-satisfeita ante a destruição sistemática da riqueza comum em todas suas ordens é a morte mesma se, por melindre conceitual, não chamamos de patologia.
5.5. Bem acaida vem esta informação de 11 de fevereiro de LVG, onde seu editor, empenhado em provar o oportunismo do Grupo Voz, "compara o bom jornalismo com a medicina". Bom, mais exactamente, segundo a "tradução automática", com o "medicamento", quer dizer, o "jarabe de palo".

6. "Essa operação de engenharia social".

6.1. Coerente com sua denigração do político, com “operação” a gradiente ativista ("decisão", "impulso") acrescenta-se até chegar ao cirúrgico, com ressaibo mesmo militar.
6.2. "Tradução automática", "engenharia social"... vai ser fácil convencer a qualquer jovem iletrado de que o do galego é um invento, um artifício, um construto dos "nacionalistas".
6.3. O caráter do movimento “normalizador” é fundamentalmente político, e não entranha mais “operações" de "tecnologia social” das necessárias em qualquer implementação de decisões políticas. Políticas quer dizer: deliberadas publicamente.
6.4. Mais bem não pode ser tecnológico em modo algum, mas político de raiz a fruto. Não cabe a distinção entre meios e fins: que haja meios em galego, que a educação seja em galego, etc., não são meios para um fim (o uso normal e oficial), mas constituintes do fim.
6.5. O autor, que se move na onda do apóstolo da “social piecemeal technology”, semelha ter caído na ilusão de considerar que o “facto” brotou espontaneamente e pela natureza das coisas.
6.6. Chamar à força e à dominação a "natureza das coisas" encaixa com a cegueira, talvez por excesso de clareza, ante a "massive social technology" quando se compartilham os seus objetivos. Como o autor rejeita os fins dos nacionalistas, tal como ele os explicita, considera uma intromissão tecnocrática [!] o que doutro modo seria a ordem natural das coisas.
6.7. Como, segundo qualquer ser racional prevê, e os "nacionalistas" proclamam, essa "enfermidade" conduz à "morte", à extinção, prévia degradação também constatável, das "línguas vernáculas", se trata de ignorar também qualquer consideração sobre as conseqüências da situação atual. (Um trabalho recente ao que cima aludiamos, com tanto aparato científico como inanidade conceptual, prevêe a "possibilidade" duma situação, não de "equilíbrio", mas de subsistência do galego, ignorando que isso só poderia dar-se graças a um enorme esforço particular e não sem padecer o deterioro irreversível de sua potencialidade. Aqui a vida seria uma "enfermidade crônica"...).
6.8. Mais uma vez, para confirmar o anterior, o editor do jornal em que escreve RBV torna efussão lírica o que o catedrático rejeita como "engenharia social": "Saluda [sic] del Presidente", breve declaraçao em que por duas vezes se diz que "o jornalismo [...] constroi comunidades".

7. "Que os nacionalistas chamam..."

7.1. Mais uma vez o grosseiro reducionismo, ou, mais exatamente, falsidade. Pois meia verdade é falsidade e meia. A lei de Normalização Lingüística foi aprovada pelo Parlamento, etc.
7.2. Mas quase é melhor isto que a acusação de monopolização ou patrimonialização do galego por parte dos nacionalistas, causa de que o façam antipático...
7.3. A Lei de Normalização Linguística do castelhano, semelha se a lemos. Pois a Lei parece mais preocupada por assinalar mais limites que objectivos. Podemos considerá-la normalização da patologia.
7.4. O comportamento do nacionalismo “oficial” foi ingênuo e complexado. Legitimou aos inimigos do galego que agora os despedem sem agradecer os serviços prestados. Que uma situação seja dura não quer dizer que não seja real, ou previsível. O destino subalterno do galego estava assumido desde o princípio. Uns faziam que não o diziam e os outros que não o ouviam.
7.5. “Chamam”, um mero nome, “flatus vocis”. A maçante gíria patriótica, tao maçante quanto impotente. O que os homens chamam de "normalização lingüística" em realidade é "engenharia social". Mas, visto o escaso sucesso, como se sugiere a seguir, o de "engenharia social" também é um mero nome. Em consonância com a espécie da "hegemonia propagandista" dos nacionalismos (e das esquerdas) -até ai chegou a tergiversão da realidade-, aos nacionalistas lhes ficaria o placebo de nomear as cousas...

8. “Desde há muito, normalização lingüística”.

8.0. Esta é a única referência ao passado, passado recente (passado constitucional), que é o que conta.
8.1. Com ânimo de deslegitimar o processo: demasiado longo o processo de normalização...
8.2. Mas, bem olhada a coisa, não é que tenha passado muito tempo, senão que ante a inércia histórica e as condições em que se desenvolve, e os escassos meios, a tarefa parece impossível. Podemos estar seguros que doutro modo nunca permitiriam que começasse a farsa.
8.3. Sendo o resultado realmente cativo, as causas desse fracasso só podem ser [i]ou[/i] a ruindade das razões (não se pode ir contra a natureza das coisas...) ou dos meios (incluídos os de engenharia social: médios, lei, instituições econômicas, etc.).
8.4. Desde há muito, sugere, obviamente, que os tempos são chegados de encerrar a loja.
8.5. Normalização lingüística, com sua noxenta, para alguns, referência à norma, que vem como imposta aqueles que não sabem dar-se a norma a si mesmos. Na realidade, todo o processo de "normalização" se reduziu a impor a norma (normativização) que faria impossível toda verdadeira normalização.
8.6. A normalização lingüística, ao abstrair sua dimensão política, renunciou a reclamar os recursos políticos que a faziam viável.
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Pedro Bravo

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Contraclau de Peitau?

Mensagem  Gascon em Qui Fev 24, 2011 3:02 pm

Bravo, escreve vocé uns farrapos que nem o Celso. O invento ese das corzinhas pode conseguir demorar o sono do incauto, mas nom por mais de um minuto ou dous, coido eu. Ele-lhe-pasou algumha vez pola cabeza o lúgubre pensamento de que seica nom ha neste mundo (ou mesmo noutro, se o houver) nem umha so mente que os leia. Nom lhe produz o simples contemplar esta hipótese umha especie de ... angustia?



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Máquina para depenar frango

Mensagem  Pedro Bravo em Qui Fev 24, 2011 7:13 pm


(Pois ainda vou pelo segundo parágrafo...)

Em primeiro lugar, parabenizou-o pelos seus progressos em educação; é por isso que respondo ao seu comentário.
Em segundo lugar, já ficou sabendo que tenho outros registros; pelo que pode deduzir que o faço assim porque quero.
Em terceiro lugar, não me importo se é lido ou não, sim que se pudesse acrescentar algo minimamente significativo e, sobretudo, contradizer a mais mínima cousa do que escrevo.
Em quarto lugar, disse que ia colar a análise –que já tenho concluído, ainda que dou sempre um último retoque antes de enviar- e, como também não molesto a ninguém, isso é o que penso fazer. Tinha que ver a análise que fiz a uma resposta do Venâncio no antigo foro do PGL e que não publicitei por piedade com o velho professor... (Mas com este RBV não tenho esses escrúpulos. Bem é verdade que não é tão satisfatório como analisar Platão ou Hegel, pois com estes sou aprendiz enquanto com o RBV me sinto “cadeirádego” em depenamento de pólos.)
Em quinto lugar, não projete seus valores e incentivos sobre os demais. No meu caso posso dizer que os valores ou pretensões que movem à imensa maioria não são nada para mim. Não quero nada, não procuro nada, apenas dizer o que as cousas são.
Em sexto lugar, não será você tão ingênuo como para pensar que a gente algo. Isso é tão óbvio que não merece o nome de “lúgubre”. Para mim não é hipótese, mas certeza. Se quiser ser “lido” estaria no Facebook transcrevendo ocorrências...
Em sétimo lugar, sobre as corzinhas: é cortesia para agilizar a consulta e facilitar o reconhecimento de relações, mas tenho problemas com o navegador Chrome e me resulta molesto de mais, pelo que deixei a meio fazer.

Enfim, resumo com o lema que acrescentei ao meu perfil quando li o seu último fio no foro livre (ao que se calhar respondo quando eu o tenha a bem):

ἀλλά μοι ψεῦδός τε συγχωρῆσαι καὶ ἀληθὲς ἀφανίσαι οὐδαμῶς θέμις.

(Não traduzo para que comprove o que me importa que se leia o que escrevo).
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Análise do artigo de RBV em LVG sobre o galego no senado. Terceiro parágrafo.

Mensagem  Pedro Bravo em Qui Mar 10, 2011 1:50 pm

3. Refutando a sem-razão violenta
Tal ilusión, (A) orixe de flagrantes violacións, non só da Constitución, senón tamén dos dereitos de centos de miles de persoas? (B) conduce a negar unha realidade que pode comprobarse en toda España, de norte a sur e deste a oeste: que, por fortuna, as linguas rexionais conviven en harmonía coa lingua común na que todos podemos entendernos.
0. Tal “diagnóstico-(etiologia)-objetivo-terápia” ou wishful thinking teria provocado, ou mais bem implica, dois efeitos perversos: 1) a violação da lei e os direitos das pessoas (a terapia) e 2) a negação da realidade feliz (o diagnóstico).

A. O articulista não atende o caso concreto, motivo do artigo, que, como mínimo, não viola a Constituição, e, além disso, favorece o exercício dos direitos políticos das “pessoas”. Sua implementação, por outra parte, não parece ser desusada nem complicada, sobretudo se temos em conta o contexto do mundo globalizado ao que tanto se apela, pelos vistos tão oportunista como enviesadamente. Prefere derivar conclusões de suas estilizadas generalizações (não se vá a pensar que a árvore não lhe deixe ver o bosque). A terapia reparadora (as políticas de normalização) teria sido causa de notórias violações (1) da CE e, além disso, (2) dos direitos naturais, pré-políticos, duma cheia de “pessoas”. Mas nem uma coisa nem a outra. Ainda que o autor não especifica os casos concretos (sentenças) que justificam seus assertos (após tanto bombardeio mediático dão-se por consabidos). "Flagrante" significa que se realiza à vez que é conhecido (ou que se conhece à vez que é realizado) e também "evidente". Não concede a mais mínima opção à racionalidade de diferentes perspectivas sobre o assunto (talvez por isso se demorou tanto a Sentença do Tribunal Constitucional sobre o Estatuto de Catalunha, um de cujos pontos problemáticos, como mostra a redacção da mesma, foi a questão da língua).

1. Como há alguma sentença em contra terei que dedicar outro dia a esta questão. A recente sentença, se declara a inconstitucionalidade da imersão lingüística, é manifestamente arbitrária (isto se pode provar lendo e analisando o texto constitucional). A CE só exige a oficialidade estatal do castelhano e o (conseguinte) dever de conhecê-lo, e a oficialidade das outras línguas espanholas. E deixa para os respectivos estatutos de autonomia a determinação do status. Além disso, trata às distintas modalidades lingüísticas espanholas como uma RIQUEZA, “patrimônio cultural que SERÁ objeto de ESPECIAL respeito e proteção”. Como mínimo, há um mandato constitucional para preservar (e mais promover, pois é uma RIQUEZA) essa diversidade lingüística. As únicas restrições que estabelece são, como vimos, que o castelhano é “a língua oficial do Estado” e que “deve” ser conhecida por TODOS os espanhóis. Dentro disso, cabe TUDO.

2. Os casos concretos de supostas violações dos direitos humanos, profusamente inchados nos jornais espanholistas, mostram a miséria intelectual e moral dos denunciantes (os mesmos que pretendem objetar a Educação para a cidadania e, mesmo, a obriga educativa do Estado). Já a desproporção, que se achega à que há entre o nada e o infinito, no tratamento das “travas” que encontram os “pais” que querem que seus filhos estudem em castelhano e as “ajudas” que recebem os que querem que seja em galego, leva a pensar que menos imparcialidade é tudo o que se vai encontrar ai. Essas supostas violações são poucas e irrelevantes, se atendemos ao resultado das sucessivas campanhas de denúncia lideradas pela prensa espanholista; em qualquer caso, são infinitamente menores que as padecidas pelos direitos dos falantes das outras línguas espanholas. Algo ao que o autor não dedicou nunca nem meia linha.

3. Parece que o autor admite a existência duns “direitos naturais” em concorrência com os direitos políticos positivos. Se no começo poupou a precisão que sempre confere o advérbio (“(só) nos plenos”), agora recorre a ela para indicar não só que Constituição e direitos das pessoas são duas coisas distintas, mas que a segunda é prévia e fundamental (se o primeiro subsumisse o segundo deveria expressar-se doutro modo). Assim pode jogar com dois baralhos: para o castelhano, se falha a Constituição, recorrer aos direitos das pessoas; para o galego: se falham os direitos das pessoas, recorrer à Constituição. Mas os direitos nos que está pensando (cujo paradigma é o direito de propriedade), fora de seu reconhecimento constitucional, são uma fantasmagoria. É sabido que o direito de propriedade é uma função social e que a sociedade (o poder) o interpreta segundo seu interesse. “Direitos naturais” só podem corresponder às condições (transcendentais) que fazem possível qualquer acordo positivo, e dependem das condições (históricas) em que se desenvolva esse acordo. São históricos. Sem direitos positivos não há “direitos naturais”. Estes formam parte da reflexão sobre aqueles. Na realidade, o que temos é o capricho consumista que teme pelos seus privilégios. A classe média defendendo seu status. Maus fundamentos, o capricho e o privilégio, para fundar um direito. A palavra “pessoa” (ela sim uma ilusão) não é aval para nada: também Franco era uma pessoa, e a Corporação da VOZ. Sei-que o direito da pessoa é o sancta sanctorum vedado à razão comum.

B. O outro desvario da ilusão é [1]a negação duma realidade (1) evidente e (2) afortunada: [2] a convivência harmónica das línguas "particulares" com aquela "comum" [3] na que "todos podemos entender-nos".[/size]

1. Todo projeto político pretende mudar a realidade, ou determinados aspectos da realidade que acha insuficientes, e para isso sempre é bom conhecê-la o melhor possível. Quem está mais interessado em conhecer a fundo: o que quer mudar as coisas ou quem se sente a gosto com elas? Além disso, temos de lembrar que a realidade gosta de ocultar-se (dizia "o Obscuro"), e que as “realidades evidentes” (não digamos as complacentes) adoitam ser fruto da obcecação na miragem.

1.1. Fala duma realidade EVIDENTE que qualquer viajado pode “comprovar em toda Espanha”, como assinala tão enfática como genericamente: pois as orientações geográficas servem para qualquer território ou "zona", mas, se fala duma realidade concreta, Espanha, seria mais concordante e mais relevante que se referisse a "zonas" concretas, com nome próprio: Galiza, Euskadi, Catalunya... e Andaluzia (pois também aqui há "dissonâncias" lingüísticas).

1.2. “Por fortuna”: Para mais, essa realidade é AFORTUNADA.
1) A perversidade que se insinuava na negação da evidência, manifesta-se plenamente aqui como destruição da dita comum.
2) De certo que “afortunada” tem outra acepção: a sua casualidade, a sua falta de causas. Essa realidade afortunada não depende, não é fruto de qualquer projecto humano, mas resultado dum "cúmulo de circunstâncias". Talvez da ação dum homem providencial (a fortuna de termos um rei como Juanca). Em qualquer caso, temos que estar gratos e não movermos muito.
3) Além disso, é mais própria da “ilusão” a “felicidade” que o conflito. Quem não gosta de sentir-se “afortunado”?

2. Qual é essa “realidade constitucional” ou “realidade realmente existente”? A convivência harmônica das “línguas regionais” com a “língua comum”.

1. Mais uma vez esquiva o “conflito”, nem sequer explicitamente reconhecido na perspectiva nacionalista (“enfermidade” dissolve o conflito político num problema técnico). Mas não é raro que o excesso de esplendor provoque hiperbólicas obnubilações: essa homogeneidade generalizada, sem o mais mínimo matiz, aplana abusivamente a realidade. Quem pode crer que não há diferenças ao longo e largo da geografia espanhola em questões de língua? A realidade é mais bem justo o contrário: olhes aonde olhes há conflito linguístico. Em Catalunya, em Euskadi, na Galiza, no País Valenciano, em Astúrias, em Navarra, etc., etc., etc. Há conflito linguístico a nível institucional, na prensa, nas empresas, na rua, etc., etc. Mas aqui também é habitual jogar com vários baralhos: quando um conflito, melhor dizendo, quando uma parte se exprime "violentamente", diz-se que há vias institucionais para manifestar as discrepâncias; quando essa mesma parte recorre a essas vias (denúncias na prensa, iniciativas judiciais e políticas), diz-se que estão induzidas por um sector interessado em manter seus privilégios; quando o conflito é uma experiência quotidiana que não transcende aos meios, ignora-se cinicamente e declara-se a santa paz da gente comum. Tudo menos reconhecer a relevância do problema e tratá-lo publicamente e a fundo em igualdade (ou certo equilíbrio) de condições. O médio no que escreve RBV é paradigma desse silenciamento cínico que se torna trejeito hipócrita segundo as circunstâncias.

Além disso, é mais própria da “ilusão” a “evidência” de seus dislates, que as inferências das razões. Sempre que há razões, reclamam nossa atenção, e não declarações sumárias sobre a clareza da própria visão. Chamar de "ilusão" a uma crítica baseada em factos e razões, baseando-se numa suposta realidade que a mera existência deessa crítica destrói de raiz, é mostra inequívoca de mentira e falsidade. Vai resultar que a visão “crítica” da “felicidade felizmente existente” é uma “ilusão”, enquanto que a “realidade realmente existente” coincida, afortunadamente e do melhor jeito possível, com os próprios desejos, é mera constatação objetiva. Como vimos de dizer, aqui não há mais constatação objectiva que a da mentira do senhor RBV.

2. Esquiva o conflito talvez porque é claro o que escolhe a ilusão entre a “harmonia” e o “conflito”.

3. Ou talvez porque o "conflito" (como a “guerra do Iraque” aquela) é mais bem a supremacia para um e a irrelevância para outros, quer dizer, a substituição lingüística, que conduz a considerar harmônica a constância e sistematicidade da invasão lingüística.

4. É normal a ilusão de quem contemplando o céu ache regulares e constantes as mais das suas revoluções. Mas nada é eterno. Igualmente, quem absorveu como realidade a dominação centralista "pensará" inercialmente. Certamente, a opção “nacionalista” requer um esforço intelectual e moral, desnecessária para quem é arrastado pela inércia histórica. A paralagem é prova (com outras premissas) de que a Terra se move. Que se alegue que não se observa paralagem, para entronizar sua perspectiva como evidência do sentido comum, não é suficiente para determinar que a Terra não se move: resulta que o Universo pode ser muito maior do que pode imaginar tua mente. Resulta que a “realidade constitucional” não pode empecer o pensamento nem a vontade, e que Constituição e Direitos das Pessoas só se entendem desde um marco mais abrangente: a história e a justiça. E cima de tudo: a razão comum. Avonda com alargar a perspectiva (no tempo e no espaço) para ver na mais mínima experiência uma mostra inequívoca do "conflito" ou a dominação.

5. Voltamos à caracterização de "afortunada":
Ad 1) O que há é negação falsária, quando não jocosa, do submetimento, a humilhação e a discriminação de "centos de milhares de pessoas" naquilo e por aquilo que os faz diferentes e enriquecedores. É sua riqueza o que é desprezada. Que entenderá o senhor RBV por "harmonia"?
Ad 2) Esse suposto facto é resultado pretendido de decisões tomadas no decurso histórico, cuja finalidade era a hegemonia total da língua central. Do que o "dever constitucional" para todos os espanhóis de conhecer o castelhano não é mais que uma consequência. Declarar "afortunada" a realidade desse (suposto) "entendimento mútuo" feito possível pela "língua comum" é passar da mentira ao escárnio. Espanha poderia ser muito mais "afortunada" (que "entendimento" pode haver com quem nem pode "imaginar" isso?). Vendo a "mentalidade" tipicamente espanhola, a atitude habitual duma grandíssima parte dos espanhóis ante as "outras línguas espanholas" ("não quero entender o catalão"), podemos pensar que a desaparição dessas línguas não é resultado mais ignominioso.
Ad 3) Podem sentir-se "afortunados" de não ter que conviver com aquelas línguas cuja mera existência faz que se sintam ofendidos.

3. O "castelhano" ou "espanhol" (já que o autor refoge os termos próprios teremos de explicitá-los nós) seria aquilo comum no que “todos podemos entender-nos”.

1. Poupo aqui desenvolver a “ilusão” correspondente: a negação dos direitos de centos de milhares de pessoas, para além da redução da CE em corpete, desvela o autêntico projeto de RBV e outros nostálgicos do grunhido universal: o monolingüísmo em inglês (ou qualquer outro sistema de sinais que otimize os custes de transação). Tendo em conta a surpreendente memória visual dos macacos, o autêntico projeto dos que vem o cume das possibilidades do entendimento humano no monolingüísmo universal é tornar-nos todos em anjos de macacos.

2. Mas deixando essa encenação para as academias de inglês, pois o que elas contemplam é o perigo amarelo, lembremos que há uns limites a essa universalidade: capitalista, ocidental, rentável. Eles "realistas" vêem as relações internacionais do mesmo jeito que as relações intranacionais: uma relação de dominação. Pode pretender-se, legitimamente, fortalecer o espanhol na luta internacional de idiomas que implicaria, segundo esse modo de ver, a globalização, fortalecer o papel de Espanha nos âmbitos correspondentes (por exemplo, o europeu), e que isso supõe o sacrifício das línguas autonômicas. Seria um projeto nacionalista espanhol. Já que com o castelhano podemos entender-nos todos, a outras línguas são desnecessárias. Mais exatamente: uma rêmora da que há que desfazer-se. Há que aprender inglês porque não fica outro remédio se queremos não perder o passo no concerto das nações.

3. Todo entendimento é encontro entre pessoas e todo encontro pressupõe um marco que atribui papeis. Se a condição do entendimento é a renúncia a uma riqueza comum não se trata dum entendimento recíproco, mas assimétrico. Um segoviano poderia cantar uma copla de seu lugar, um galego teria de traduzir primeiro à “língua comum”. Aquele poderia aceder a uma dimensão fundamental da existência do homem, enquanto este deveria renunciar a sua herança (e possibilidades). Que entendimento é esse no qual uma parte (da mesma nação) tem de renunciar ao que a outra conserva? Não é, certamente, um entendimento entre iguais. Como o dos escravos, o logos dos galegos chegaria até entender o que lhe dizem, não a dizer ele desde si próprio. A linguagem reduzir-se-ia ao imperativo. “A mandar”, isso é o que querem escutar.

4. Deixamos para final a expressão "língua comum". Surpreende, em primeiríssimo lugar, a recorrência dessa fórmula em pessoas que argumentam desde a perspectiva individualista da "liberdade de escolha" (expressão não menos enganosa). Que "comunidade" de "entendimento mútuo" se pode "construir" desde a consigna "que cadaquém salve seu pelejo"? Mais uma mostra de oportunismo doloso, cuja "ilusão" característica é acreditar em que seus filhos vão ficar livres de sua miséria. Mas, quando se destrói todo o comum e só fica a indiferença (mixórdia de ignorância e vileza), essa miséria é o único que podem transmitir.

Não por falar a mesma língua vai haver entendimento, não por falar línguas distintas não vai haver entendimento. Para além de supostas "línguas comuns" brilha sempre a razão comum, que parte do reconhecimento de que todos partimos duma situação parcial, condicionada, que deixa de ser eiva desde o momento em que é reconhecida e partilhada com outros.
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Re: "galego no Senado espanhol"

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